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12/05/2010 - 17h40

Dólar tem dia de baixa, mas segue na linha de R$ 1,77

SÃO PAULO - O dólar comercial passou por ajuste de baixa nesta quarta-feira, mas não fugiu muito da banda de oscilação dos últimos dias, ao redor de R$ 1,77. A vendas ocorreram em meio à melhora de humor externo, com dados positivos na Europa, e retorno dos investidores às bolsas de valores.

Ao final do pregão, o dólar comercial era negociado a R$ 1,771 na compra e R$ 1,773 na venda, queda de 0,56%.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar teve leve baixa de 0,19%, para fechar a R$ 1,7731. O volume foi de US$ 45 milhões, 30% maior que o observado ontem. Já no interbancário, o giro estimado ficou ao redor dos US$ 2,5 bilhões.

Na Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu 0,2% no primeiro trimestre, em comparação com o quarto trimestre de 2009, e subiu 0,5% no confronto anual. As duas medições ficaram acima do previsto. Ainda na região, a Espanha apresentou um plano para acelerar o corte de gastos públicos.

De volta ao mercado local, o Banco Central apresentou os dados parciais da movimentação de câmbio agora em maio. E a principal conclusão, segundo o diretor da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Moura Nehme, é a que a crise da Grécia não afetou em nada o mercado local.

Segundo o BC, o fluxo cambial foi positivo em US$ 3,71 bilhões na primeira semana de maio, sendo US$ 2,63 bilhões da conta comercial e US$ 1,07 bilhão da conta financeira.

Já as atuações do Banco Central no mercado à vista enxugaram US$ 3,38 bilhões do mercado Com isso, o saldo líquido de dólares na primeira semana do mês foi positivo em US$ 330 milhões, ou seja, "sobrou" moeda no mercado.

Isso mostra, segundo Nehme, que não houve pressão de demanda em função da turbulência externa. Todo o pico de alta, que resultou em valorização de 6,5% do dólar na semana passada, foi movimentação dos bancos mesmo. "Não teria razão para uma puxada de alta no dólar. Foi um movimento de oportunidade dos bancos. Como o psicológico prevalece nesses momentos, os bancos tiraram proveito dos estrangeiros", diz Nehme.

Basta lembrar que os investidores estrangeiros foram às compras no mercado futuro de dólar assim que a situação externa começou a azedar no começo do mês. Enquanto isso, os bancos seguiram vendendo moeda, tanto no futuro quanto no à vista. Agora, que a situação se acalmou, as instituições financeiras devem registrar ganhos elevados com esse acerto de posição.

"E isso não está errado, joga o jogo quem sabe jogar. Os estrangeiros olharam mais para fora do que para dentro. Ficou claro que a crise da Grécia tem pouco efeito", conclui o especialista. Pelos últimos dados disponíveis, depois do tombo, os estrangeiros já estão reduzindo a posição comprada (aposta pró-dólar) no mercado futuro. Ontem foram vendidos 14.491 contratos, ou US$ 724 milhões. Com isso, o estoque comprado caiu a R$ 2,53 bilhões.

Já os bancos, embora reduziram sua posição vendida (apostas pró-real), mantinham um estoque vendido de US$ 5,74 bilhões ao final do pregão de ontem. (Eduardo Campos | Valor)

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