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12/05/2010 - 11h59

Varejo cresce em ritmo chinês, mas DIs recuam na BM & F

SÃO PAULO - Apesar da surpresa com as vendas no varejo, os contratos de juros futuros curtos, mais ligados à política monetária, não acumulam prêmio de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Até então, qualquer dado de atividade mais forte resultava em aumento nas apostas de maior agressividade do Banco Central no ciclo de aperto monetário.

Por volta das 11h50, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em junho de 2010 perdia 0,02 ponto, a 9,37%. Julho de 2010 marcava estabilidade a 9,72%. E janeiro de 2011 tinha baixa de 0,02 ponto, a 11,10%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 recuava 0,06 ponto, a 12,28%. Janeiro 2013 recuava 0,09 ponto, projetando 12,55%. E janeiro 2014 também caía 0,09 ponto, a 12,52%.

Agora de manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o comércio varejista apresentou expansão de 1,6% em março, superando as expectativas que rondavam 1%. O resultado de fevereiro foi revisado de alta de 1,6% para 1,8%.

No comparativo anual, o crescimento ficou em 15,7%. Em 12 meses, o ganho é de 8%. E no primeiro trimestre de 2010, o aumento das vendas foi de 12,8%.

No conceito ampliado, que inclui também veículos e construção civil, o salto é de 22% sobre março de 2010. Segundo o economista-chefe do Safra Banco de Investimento, Cristiano Oliveira, o ritmo é maior do que o da economia chinesa. Em abril, por exemplo, o avanço no varejo chinês foi de 18,5%. "Em breve os chineses que vão falar que crescem em ritmo brasileiro", brinca o especialista.

Na visão de Oliveira, os dados de hoje apenas reforçam a percepção já existente de que a economia está muito aquecida. Os fatores que dão suporte a tal expansão das vendas e da economia como um todo continuam sendo a taxa de juros abaixo do considerado neutro, mercado de trabalho aquecido e crédito farto.

Como os resultados do varejo surpreenderam o previsto, o economista não descarta uma rodada de revisões nas expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. O Safra Banco de Investimento trabalha com avanço de 2,8% sobre o quarto trimestre. "Isso representa um crescimento anualizado de 11,5%. É algo muito forte e claramente acima do potencial", explica.

A questão é que esse superaquecimento da economia (overheating) tem seu preço: inflação. Segundo Oliveira, temos uma pressão inflacionária já contratada e ela será genuinamente de demanda, ao contrário do observado no começo do ano, quando choques sazonais distorceram as medições.

Segundo o especialista, o mercado reage pouco porque já embute uma alta de cerca 4 pontos percentuais na Selic. Fora isso, diz o especialista, existe uma probabilidade não desprezível de o Banco Central lançar mão de ferramentas complementares à taxa de juros, como um aumento na alíquota dos depósitos compulsórios (fatia de depósitos que os bancos não podem emprestar).

Voltando aos dados de varejo, Oliveira chama atenção para o crescimento bastante acima da média registrado pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Tocantins, por exemplo, mostrou alta de 50% nas vendas. O desempenho dessas regiões, segundo o economista, passa pelo melhor desempenho do setor agrícola, influência dos programas de transferência de renda e crédito mais acessível na região, que começa a ampliar seus níveis de bancarização.

(Eduardo Campos | Valor)

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