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12/05/2010 - 16h23

Varejo surpreende, mas DIs curtos não embutem mais alta nos juros

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros curtos não tiveram a reação padrão aos dados de atividade acima do esperado. As venda no varejo surpreenderam as expectativas, mas os vencimentos tiveram apenas um pequeno ajuste. Já os longos, sem grande surpresa, ajustaram para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para junho de 2010 marcava estabilidade a 9,38%. Julho de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 9,73%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também subia 0,01 ponto, projetando 11,13%, depois de cair a 11,09%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 caiu 0,04 ponto, a 12,30%. Janeiro de 2013 também cedeu 0,04 ponto, a 12,60%, e janeiro 2014 perdia 0,04 ponto, para 12,57%.

Até as 16h15, foram negociados 773.390 contratos, equivalentes a R$ 67,96 bilhões (US$ 38,09 bilhões), em linha com o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 320.080 contratos, equivalentes a R$ 29,89 bilhões (US$ 16,75 bilhões).

O economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, explica o comportamento da curva. Segundo o especialista, a curva curta não ganhou inclinação porque o mercado já está bem posicionado para um novo ajuste na taxa Selic, com apostas meio a meio entre nova alta de 0,75 ponto e 1 ponto percentual.

Olhando agora os vencimentos de prazo mais dilatado, o economista explica que dados mais forte aumentam a probabilidade de o Banco Central atuar de forma mais forte no curto prazo. Com isso, se reduz a necessidade de aperto no longo prazo. Fora isso, Serrano lembra que a melhora de ambiente externo também contribui para a perda de prêmio de risco.

Vamos aos dados. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o comércio varejista apresentou expansão de 1,6% em março, superando as expectativas que rondavam 1%. O resultado de fevereiro foi revisado de alta de 1,6% para 1,8%.

No comparativo anual, o crescimento ficou em 15,7%. Em 12 meses, o ganho é de 8%. E no primeiro trimestre de 2010, o aumento das vendas foi de 12,8%. No conceito ampliado, que inclui também veículos e construção civil, o salto é de 22% sobre março de 2010.

Na avaliação de Serrano, por mais que se pondere que a base de comparação é baixa, pois foi no primeiro trimestre de 2009 que a economia sentiu com mais força os impactos da crise do ano anterior, e que há efeitos de antecipação de consumo e estímulo fiscal, os dados são muito fortes e reforçam a percepção de que o Brasil cresce acima de seu potencial.

E crescer acima do que se pode resulta em inflação. Tal resultado foi conhecido, pois os índices de preços de janeiro a março superaram as expectativas. Então, além dos fatores sazonais fica certo que também existiam pressões de demanda.

Agora, acredita Serrano, esse ritmo de crescimento da demanda deve ser um pouco menor. Primeiro, pelo fim dos estímulos fiscais e segundo porque o Banco Central já começou a subir a taxa de juros e deve fazer isso de forma incisiva no curto prazo.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro fez a segunda etapa do leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que ocorreu via troca de títulos.

(Eduardo Campos | Valor)

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