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24/05/2010 - 15h48

Bovespa opera em alta, na contramão das principais bolsas americanas

SÃO PAULO - Depois da volatilidade acentuada ao longo da primeira etapa dos negócios, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) parece ter firmado a trajetória positiva nesta tarde.

Com este desempenho, o Ibovespa busca uma recuperação, depois da queda de 5% registrada na última semana.

Por volta das 15h40, o Ibovespa, que já oscilou entre 59.814 e 60.849 pontos, subia 0,25%, para 60.412 pontos. O giro financeiro está em R$ 3,33 bilhões.

Nos Estados Unidos, a bolsa eletrônica Nasdaq apurava ganhos de 0,44%. Entre as notícias do dia, destaque para a compra da empresa de software Sterling Commerce, divisão da AT & T, pela IBM por US$ 1,4 bilhão em dinheiro. No sentido oposto, o índice Dow Jones recuava, há instantes, 0,39%, enquanto o S & P 500 cedia 0,29%.

Se, de um lado, o anúncio de corte de gastos pelo Reino Unido foi considerado positivo, as preocupações com a situação financeira europeia permanecem. As atenções recaem sobre a intervenção no CajaSur pelo banco central da Espanha.

Na avaliação do vice-presidente da gestora americana BlackRock, Bob Doll, embora muitos investidores estejam tensos com os eventos atuais, a recuperação econômica, de forma geral, segue em curso.

"A recuperação cíclica na maioria dos países (incluindo os Estados Unidos) permanece intacta, assim como as taxas de juro continuam baixas e os principais indicadores econômicos seguem com um tom positivo", comentou, em relatório enviado ao mercado.

Segundo Doll, dada a magnitude das preocupações mais recentes com o câmbio e com a dívida soberana, o desempenho do mercado de capitais tende a ser impulsionado por uma perspectiva macroeconômica mais ampla, e não pelos fundamentos específicos de empresas.

"Este é geralmente o tipo de ambiente em que a volatilidade continua alta em ambos os sentidos. É importante lembrar que as correções durante períodos de recuperação econômica são normais, mas são muitas vezes intensas e rápidas", pontuou.

Como um fator positivo, o executivo apontou que alguns ativos tornaram-se mais atrativos nas últimas semanas, com a queda dos preços e o aumento dos lucros.

"Com o tempo, esperamos que uma maior clareza em torno da situação europeia e da reforma dos mercados financeiros nos Estados Unidos deve fornecer uma medida de estabilidade, e uma sensação de que a recuperação econômica permanece na trilha certa deve ajudar a provocar uma reviravolta na recente aversão a ativos de maior risco", assinalou.

De volta à cena local, dão força à retomada do Ibovespa nesta segunda-feira os papéis do setor petrolífero, com destaque para as ações ON da OGX Petróleo, que avançavam, há pouco, 4,66%, a R$ 15,93.

A empresa identificou a presença de hidrocarbonetos, gás e condensados, em uma das seções do poço 1-OGX-11D-SPS, localizado no bloco BM-S-59, em águas rasas da bacia de Santos.

Em relatório enviado ao mercado, a Itaú Corretora ressaltou que vê a descoberta da OGX como positiva, mas assinala que a empresa ainda não divulgou o volume estimado para a área.

Na visão da instituição, se for grande, a descoberta poderá ser interessante para a OGX, porque justificaria o desenvolvimento da infraestrutura necessária. Já se o volume for pequeno, o gás poderá ser "abandonado", já que o Itaú duvida que a Petrobras estaria disposta a dividir qualquer infraestrutura para levar o gás até a costa.

A corretora manteve a recomendação de "outperform" para os papéis, com preço-alvo de R$ 27,90 para dezembro de 2010.

(Beatriz Cutait | Valor)

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