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24/05/2010 - 08h35

Bovespa tomou fôlego na sexta-feira, mas ainda cai 10% no mês

SÃO PAULO - O esperado repique técnico, ou exaustão do pessimismo, veio na sexta-feira da semana passada. O melhor exemplo foi dado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que depois de afundar por seis dias seguidos, saltou mais de 3,5%. No dólar, a reação foi mais comedida, já que a moeda fechou o dia estável, mas ela não deixou de existir, pois, no começo do pregão, a taxa já passava de R$ 1,90. Com movimentação mais consistente, os contratos de juros futuros seguiram perdendo prêmio de risco.

Dia de melhora também em Wall Street, mas o pregão foi sofrido, já que o Dow Jones começou a jornada e logo caiu abaixo dos 10 mil pontos. A recuperação esteve a perigo em parte da tarde, mas compras de última hora garantiram alta de 1,25% para o Dow, ganho de 1,50% para o S & P 500 e valorização de 1,14% para o Nasdaq.

No balanço da semana, os números não foram tão animadores assim. A Bovespa caiu 4,97%, o Dow Jones e o S & P recuaram cerca de 4% cada e o Nasdaq recuou 5%. Já o dólar subiu 3,16%.

Tanto aqui quanto no mercado externo a avaliação predominante é de que os mercados tomaram fôlego, mas que não tem como se falar em retomada de tendência de recuperação. As dúvidas que assombram a Europa continuam existindo.

Ainda na Europa, na sexta-feira, o presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, afirmou que a maioria dos governos do bloco apoia sanções mais duras para punir países que violaram os limites de déficit e da dívida. A UE discute regras mais severas a fim de lidar com a crise da dívida que afetou a confiança do mercado na moeda comum europeia. A discussão de uma reforma financeira mais ampla ocorre pouco depois de a Alemanha decidir proibir a venda de ativos a descoberto. São esperadas medidas para proteger o euro.

Também no continente, o Parlamento alemão aprovou o pacote à região e o texto segue agora para assinatura do presidente Horst Koehler. A Alemanha vai contribuir com 123 bilhões de euros a 147,6 bilhões de euros em garantias de empréstimo.

De volta do Brasil, o Ibovespa ganhou 2.067 pontos, ou 3,55%, antes de fechar a semana aos 60.259 pontos. O giro ficou em R$ 6,52 bilhões, o menor da semana. Agora, em maio, o índice acumula baixa de 10,77%. No o ano, a bolsa deve 12,14%.

"A alta de hoje nada mais é que uma recuperação depois das perdas dos últimos seis dias, e não significa que será mantida. O investidor ainda está temeroso, está com a crise de 2008 muito forte na cabeça, então mantém a cautela. O cenário de curto prazo permanece negativo", afirmou o analista de renda variável do Daycoval Asset, Guilherme Mazzilli.

No ambiente corporativo, as ações PN da Petrobras encerraram a jornada com alta de 0,54%, a R$ 27,58. A estatal marcou para o dia 22 de junho a Assembleia Geral Extraordinária (AGE), em que seus acionistas vão apreciar um aumento de R$ 90 bilhões no limite do capital autorizado, como forma de viabilizar a aguardada capitalização da companhia. A proposta, que depende de uma alteração estatutária, prevê um aumento de R$ 60 bilhões para R$ 150 bilhões no limite do capital permitido da empresa. O volume de ações passa de 200 milhões para 5,6 bilhões de papéis, incluindo uma emissão de até 3,2 bilhões de ações ordinárias.

No mercado de câmbio, depois de seis dias consecutivos ditando a formação de preço do dólar, os compradores deram uma trégua. No entanto, os vendedores não viram incentivo suficiente para atuar de forma consistente.

Com isso, o dólar comercial fechou o dia estável, a R$ 1,861 na venda. Cabe lembrar que o preço da moeda chegou a subir 2,3%, para R$ 1,904, e também caiu 0,80%, para fazer a mínima intradia de R$ 1,846.

Na semana, o dólar comercial ficou 3,16% mais caro e a alta acumulada no mês já chega a 7,08%. Agora em 2010, a moeda já ganhou 6,77%.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar registrou baixa de 0,27%, para fechar também a R$ 1,856. O volume caiu pela metade, para US$ 66,25 milhões. No interbancário, o giro estimado ficou acima dos US$ 4 bilhões.

O sócio e gestor de câmbio da Platina Investimentos, Rodrigo Donato, observou que durante toda a semana o real sofreu com a aversão a risco em âmbito global decorrente da crise que assola a Europa.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, não descarta que o humor continue melhorando na segunda-feira, mas alerta que o investidor deve continuar com pé atrás, pois o mercado ainda não deu sinais claros de que teve algum exagero de alta ou de baixa e que ele vai se corrigir.

Ainda de acordo com o especialista, o que parece ter acalmado, pelo menos nesta sexta-feira, foi o desespero dos investidores, que estavam liquidando seus ativos a qualquer preço.

Olhando o câmbio doméstico, Galhardo aponta que o teto de R$ 1,90 continua bastante respeitado. "O que se sabe é que o exportador entra para aproveita a taxa, fazendo pressão contra a subida", disse o gerente.

Os contratos de juros futuros de vencimento mais longos voltaram a perder valor na BM & F. Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, tal movimento da curva é explicado por três fatores.

Em primeiro lugar, o cenário de menor crescimento mundial em função da crise da Europa leva os agentes a acreditarem em um menor ajuste na taxa básica de juros.

O segundo ponto é que as coletas de preços têm mostrado menos pressão inflacionária no decorrer do mês.

Por fim, e principal na visão do especialista, a curva estava muito premiada, o que acabou chamando novos aplicadores em busca de oportunidade.

Complementando a análise, o gestor da Brascan Gestão de Ativos, Luiz Fernando Romano, credita parte da perda de prêmio entre os vencimentos mais longos ao discurso da pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, que disse em evento realizado em Nova York que a autonomia operacional do Banco Central é fundamental para o país. Além disso, a ex-ministra também disse ser favorável a uma redução gradual da meta de inflação nos próximos anos.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para junho de 2010 subia 0,01 ponto, a 9,39%. Julho de 2010 também ganhava 0,01 ponto, a 9,77%. Mas janeiro de 2011, o mais líquido do dia, declinava 0,02 ponto, projetando 10,92%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 cedeu 0,03 ponto, para 12,01%. Janeiro de 2013 caiu 0,09 ponto, a 12,30%. E janeiro 2014 também devolveu 0,09 ponto, a 12,36%.

Até as 16h15, foram negociados 1.222.700 contratos, equivalentes a R$ 108,96 bilhões (US$ 58,34 bilhões), 27% acima do registrado um dia antes. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 436.400 contratos, equivalentes a R$ 40,92 bilhões (US$ 21,91 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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