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24/05/2010 - 18h47

Chineses não deverão participar do próximo leilão de transmissão

RIO - A estatal chinesa State Grid Corporation não deverá ter tempo hábil para participar do próximo leilão de linhas de transmissão no Brasil, apesar de ter comprado o controle de sete das 12 empresas da Plena Transmissoras, até então comandadas pelas espanholas Elecnor, Isolux e Cobra. As companhias vendidas têm a concessão de cerca de 3 mil quilômetros de linhas de transmissão.

O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, ressaltou que os chineses terão que cumprir trâmites burocráticos junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) antes de o negócio, de R$ 3,097 bilhões, ser concretizado. O próximo leilão acontece em junho e Zimmermann acredita que a empresa estará habilitada apenas para a licitação do segundo semestre.

"Acredito que não tem tempo hábil para o próximo leilão", disse Zimmermann, que participou hoje da posse de Istvan Gardos e Ronaldo Schuck na diretoria do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Zimmermann lembrou que a China tem capacidade instalada de geração de 870 mil megawatts de energia e precisa crescer 110 mil MW anualmente. Neste sentido, ressaltou que a entrada da estatal asiática pode elevar os deságios nos leilões de linha de transmissão, dada a expertise adquirida no mercado chinês.

Para o diretor de engenharia da Eletrobras, Valter Cardeal, a entrada dos chineses no mercado brasileiro é vista "dentro da naturalidade". "É mais um player que vai competir. O modelo é competitivo e vai ganhar o menor preço, a modicidade tarifária", frisou Cardeal.

Para o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, os chineses "são muito bem-vindos" ao mercado brasileiro. "No sentido de competição e de estimular inovações tecnológicas, quando entra um camarada agredindo o mercado, ele estimula os outros a competir, o que reduz o seu custo também. Tudo o que o consumidor quer é um viés de modicidade tarifária", ressaltou.

Zimmermann afirmou ainda que a Argentina vai renovar o protocolo anual para troca de energia com o Brasil. Segundo ele, o Brasil poderá enviar, a partir de junho, entre 1 mil e 1,5 mil MW médios ao país vizinho, que serão posteriormente devolvidos.

O ministro evitou ainda dar definições sobre a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas revelou que não acredita em leilões de blocos do pré-sal este ano, da mesma forma que não está descartada a realização de um leilão sem blocos do pré-sal antes da definição do novo marco regulatório no Congresso.

(Rafael Rosas | Valor)

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