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24/05/2010 - 15h32

Default na Europa teria baixo impacto no Brasil, diz Loyola

SÃO PAULO - Ainda que a crise na Europa se acentue, a economia brasileira não deve sofrer forte abalo. A avaliação é do ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da consultoria Tendências, Gustavo Loyola. "Se houver um default na Europa, o Brasil pode sofrer com a perda de liquidez, mas nada muito preocupante. Talvez apenas cresça um pouco menos", disse Loyola durante seminário promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo o ex-presidente do BC, a situação do País é tão confortável que até a depreciação do câmbio, que no passado representava custo fiscal, hoje se transformou em benefício. "Ao invés de os investidores ficarem mais preocupados com a situação fiscal brasileira, eles devem ficar menos preocupados, já que o setor público brasileiro está tendo um ganho de capital", destacou.

O País, de acordo com Loyola, conta com um estabilizador anticíclico. Se para combater crises externas o governo costumava elevar juros e imposto, dessa vez, o remédio está nas medidas opostas: redução de juros e de impostos, além do aumento de gastos públicos. O resultado é a expectativa de um crescimento de cerca de 6,5% neste ano.

Embora o calote de países europeus não esteja descartado, Loyola acredita ser pouco provável que ele aconteça. "Isso seria uma catástrofe. O problema não seria o default da Grécia, mas os reflexos disso sobre outros países e sobre o mercado. Haveria um efeito dominó",diz.

A questão que se coloca para a Europa e para o mundo no momento, destaca o ex-presidente do BC, não é a existência de recursos para evitar a quebra da Grécia, mas a capacidade de o país cumprir com os compromissos assumidos.
"Como fazer cortes numa economia que já está fraca? Sem estímulo fiscal, o país vai crescer ainda menos. E isso não acontece só na Grécia, na Espanha, em Portugal, na Itália e na Irlanda também. Os mercados têm razão para o ceticismo", afirma. Diante desse delicado cenário, Loyola acredita que, ainda que os países não consigam honrar os acordos, a Europa não os deixará quebrar.
"Isso colocaria o euro em cheque, o que não é bom para ninguém. Creio que, nesse caso, os países mais fortes da Europa e o Fundo Monetário Internacional chamariam todos os credores para negociar não só as dívidas que estão vencendo, mas as dívidas a vencer também." A maior parte da dívida dos países da Europa, de acordo com Loyola, está nas mãos dos próprios bancos europeus.
(Francine De Lorenzo | Valor)

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