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24/05/2010 - 16h24

Juros futuros marcam novo pregão de alta na BM & F

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros voltam a perder valor na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Semana passada, as quedas eram justificadas, em parte, pela melhora nas coletas de preço. Já hoje, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) confirmou tal percepção ao mostrar desaceleração de 0,64% para 0,47%. A redução foi liderada pelos alimentos, que saíram de alta de 1,18% para 0,52%, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para junho de 2010 caía 0,01 ponto, a 9,38%. Julho de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 9,78%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, perdia 0,04 ponto, projetando 10,92%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 operava estável a 12,04%. Janeiro de 2013 cedeu 0,03 ponto, a 12,30%. E janeiro 2014 devolveu 0,05 ponto, a 12,31%.

Até as 16h15, foram negociados 464.700 contratos, equivalentes a R$ 41,32 bilhões (US$ 22,08 bilhões), um terço do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 111.170 contratos, equivalentes a R$ 10,42 bilhões (US$ 5,57 bilhões).

Além das melhores coletas de preço, outra justificativa à menor inclinação da curva futura vinha pelo lado externo.

Conforme se agrava a crise da Europa aumenta a percepção de que o Banco Central poderia ser menos agressivo no ajuste de juros, reduzir o tamanho do ciclo ou até mesmo pausar o processo de ajuste.

Para o economista-chefe do Safra Banco de Investimento, Cristiano Oliveira, não é bem esse o caso. "O problema do Banco Central é o fato de a economia crescer acima do potencial", diz o especialista.

Na visão de Oliveira, uma eventual mudança na direção da taxa, redução ou pausa no ciclo só ocorreria se o balanço de riscos atual mudasse. "Isso não é impossível de acontecer. Mas, pelas variáveis que temos agora, essa crise não tem caráter deflacionário ou inflacionário. Então o BC deve seguir com o ciclo", diz. "Não podemos esquecer que a meta é a inflação e que o balanço de risco aponta para inflação e atividade em alta", explica o economista, que mantém sua previsão de ajuste total de juros de 350 pontos-base na Selic, que passaria a ser de 12,25%. Para efeito de comparação, a mediana captada pelo Focus, do Banco Central, segue em 11,75%.

Analisando o comportamento do mercado, Oliveira aponta que a curva corrige o exagero de altas embutido na curva logo após a decisão de abril. Depois da reunião, o mercado trabalhava com até 1 ponto percentual de alta. Agora, voltou ao 0,75 ponto, o que parece razoável. "O BC não iria acelerar mesmo sem essa questão envolvendo a zona do euro", diz o economista.

(Eduardo Campos | Valor)

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