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24/05/2010 - 16h39

ONS defende leilões regionais de energia, com matriz definida

RIO - O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, defendeu hoje a realização de leilões regionais de forma a aumentar a segurança energética nos quatro subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN). A ideia de Chipp é organizar os leilões de acordo com as necessidades e potenciais de cada região.

De acordo com ele, deveria haver uma leilão para construção de termelétricas no subsistema Sul, principalmente depois que, por falta de gás, foi interrompida a geração em Garabi e em Uruguaiana, representando a perda de 2.600 MW de garantia em um mercado com demanda de 9 mil MW.

"Para o operador seria mais interessante se fizesse esse tipo de leilão. Tem que olhar regiões específicas e fontes específicas na diversidade da matriz. O Nordeste tem uma vocação de eólica incrível e, em vez de fazer leilão de eólica nacional, seria mais prudente fazer um leilão dirigido", frisou Chipp. "A matriz energética é de responsabilidade do governo, não é do resultado do leilão", acrescentou.

Chipp explicou que atualmente há o intercâmbio de energia para o Nordeste, que conta com um grande número de termelétricas, mas lembrou que em 2006 e 2009 foi necessário transferir energia para o Sul do país, com o envio de cerca de 6 mil MW médios. Para o comandante do ONS, uma falha em uma linha de transmissão poderia ter deixado o Sul sem energia por conta da falta de térmicas na região, em um cenário de nível elevado dos reservatórios das hidrelétricas do país.

"Os reservatórios com 90% e desabastecimento no Sul seria o fim da picada", afirmou. "Tem que levar essa ideia ao ministério, para ter um leilão específico. Não houve ainda uma análise estruturada, mas na hora que for discutido de forma estruturada e formalizada, acho que vai vingar, porque é notória a necessidade de térmicas no Sul", reforçou.

Chipp voltou a ressaltar que o ONS trabalha para evitar riscos de corte de energia. Embora tenha frisado ser impossível o risco zero de blecaute, citou estudos feitos pelo operador e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre a necessidade de construção de um novo circuito para aliviar o tronco que transporta a energia produzida por Itaipu.

Enquanto os investimentos passam por estudos, o ONS concentra a luta para evitar interrupções como a de novembro do ano passado - quando chuvas fortes levaram a um corte de energia prolongado em diversos estados - em medidas operacionais como o monitoramento das condições meteorológicas da linha vinda de Itaipu. Em caso de chuvas fortes, reduz-se a carga na linha e compensa-se essa redução com geração maior em outras hidrelétricas ou em térmicas. "Os leilões (e construção de novas linhas) demoram de dois a três anos. Enquanto isso, implantamos medidas operativas", ponderou Chipp.

(Rafael Rosas | Valor)

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