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24/05/2010 - 18h25

Oposição cobra imparcialidade de Lula durante campanha presidencial

SÃO PAULO - A oposição cobrou hoje uma posição de imparcialidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral. Para a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), o ideal seria que Lula seguisse o exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que nas eleições ao Palácio do Planalto, em 2002, se manteve ausente da disputa, apesar dos apelos dos tucanos para que tivesse uma atuação mais participativa na campanha do então candidato José Serra (PSDB). Kátia avaliou que o crescimento da pré-candidata Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de intenção de voto reflete o fato de o presidente estar em campanha explícita para a ex-ministra. "Ele está impedindo que as pessoas possam fazer uma análise de quem vai presidir o Brasil. Trata-se de uma questão de justiça e honestidade com sua própria candidata. Deixa essa mulher (Dilma) dizer a que veio. Ela deve ter seu conteúdo", declarou a senadora.

De acordo com pesquisa Datafolha, divulgada no final de semana, Serra e Dilma estão empatados com 37% das preferências.

Segundo Kátia, Lula desequilibra a disputa presidencial com sua alta popularidade. Além disso, ela lembrou que o presidente não tem o direito de usar a máquina pública e o dinheiro do contribuinte para promover sua candidata. "A sucessão de multas é um sinal de reconhecimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de que Lula está em campanha antecipada", acrescentou. Até o momento, a Corte Eleitoral já multou o presidente quatro vezes.

O presidente de honra do DEM, o ex-senador Jorge Bornhausen, acredita que, ao promover a ex-ministra, Lula a transforma em sua boneca de ventríloquo. "Ela vive pendurada no atual presidente e isso mostra sua falta de personalidade, que ocorre em função da necessidade de votos que ela não tem e ele tem", argumentou. Apesar disso, Bornhausen destacou que confia na vitória de Serra. O otimismo está relacionado a expectativa de que o eleitorado possa perceber que o tucano "tem mais conhecimento e experiência que as suas adversárias". Segundo ex-senador, as pesquisas são apenas uma fotografia do momento.

Bornhausen evitou comentar os rumores sobre a formação de uma chapa puro sangue com o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves como vice de Serra.

"Não nos compete qualquer manifestação porque ele (Serra) saberá encontrar o melhor caminho". Já Kátia Abreu não escondeu o entusiasmo com a possibilidade.

"Torcemos para que Aécio aceite. Vamos tentar convence-lo de que sua candidatura à vice não vai prejudicar Minas. Talvez seja esse o seu receio", afirmou.

(Fernando Taquari | Valor)

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