UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

24/05/2010 - 16h01

Para Loyola, é inviável a Grécia sair da zona do euro

SÃO PAULO - A possibilidade de se retirar a Grécia e outros países europeus em delicada situação fiscal da zona do euro é considerada inviável pelo ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da consultoria Tendências, Gustavo Loyola. Durante seminário promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Loyola ressaltou que não há como esses países deixarem de adotar a moeda comum e retomarem suas antigas moedas.

"Quem vai convencer os europeus a trocarem suas poupanças em euro pela antiga moeda local?", questionou.

Loyola também descartou a possibilidade inversa, de a Alemanha abandonar o euro. "Se houver um calote de algum país europeu, o sistema bancário do continente será fortemente atingido, já que os bancos são os principais credores. Por isso, a Alemanha não pode dar as costas para a questão", explicou.

Para o ex-presidente do Banco Central, a solução para a crise no Velho Continente terá de vir a médio e longo prazo, por meio do ganho de produtividade. A Europa também terá que definir se haverá ou não uma unidade fiscal. "São questões delicadas que terão impacto sobre o euro. Estão sob a mesma moeda países com estruturas muito diferentes. Não dá para taxar o contribuinte alemão com a intenção de pagar a conta dos gregos", disse.

O controle da crise na Europa depende, sobretudo, da redução da desconfiança do mercado. O que economistas e analistas se perguntam é como países em situação econômica tão delicada conseguirão fazer cortes. A expectativa da consultoria Tendências para a região é de crescimento médio de 1,4% nos próximos quatro anos - menos da metade do estimado para o resto do mundo.

(Francine De Lorenzo | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host