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25/05/2010 - 14h31

BC prevê déficit em conta corrente de R$ 2,7 bilhões em maio

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) projeta déficit de US$ 2,7 bilhões para a conta corrente externa em maio, em função de melhoria no saldo comercial. Os resultados de abril e do primeiro quadrimestre do ano foram os piores, desde o início da série em 1947, negativos em US$ 4,58 bilhões e em US$ 16,7 bilhões, respectivamente.

O aprofundamento do déficit das transações do país com o exterior decorre da forte expansão da atividade interna, "mas tem financiamento dado", segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Para ele, se por um lado a economia aquecida gera mais importações, mais gastos com aluguel de equipamentos e transportes, além de despesas recordes de brasileiros em viagens ao exterior (por aumento de renda e empregos), por outro há fontes de financiamento que devem cobrir o déficit projetado em US$ 49 bilhões (projeção que será revista no próximo mês).

As três fontes principais são: investimento externo direto (IED), portfólio (aplicações em ações e renda fixa) ou financiamento (captações e empréstimos).

Embora o BC projete US$ 45 bilhões para o IED no ano, o acumulado de janeiro a abril mostra US$ 7,88 bilhões. Lopes atribui o "fraco desempenho" à volatilidade dos mercados causada pelas incertezas com a crise na União Europeia.

Ele esperava US$ 2,6 bilhões em abril. Só entraram US$ 2,2 bilhões. "Há uma redução desses fluxos de países que geralmente investem no Brasil, como Alemanha e Espanha, mas eu creio que é uma situação momentânea", disse. Com base em anúncios de vários setores, ele espera ingressos de IED mais expressivos no segundo semestre. No caso do portfólio, a autoridade monetária espera entrada de US$ 35 bilhões no ano. Já ingressaram US$ 14,3 bilhões no primeiro quadrimestre. Em empréstimo, a projeção é de US$ 16,2 bilhões para 2010, sendo US$ 10,2 bilhões contabilizados até abril, a uma taxa de rolagem média de 223%.

Lopes explicou que, apesar das importações estarem crescendo 42% sobre 2009, ante 25% das exportações, o início das vendas externas de commodities agrícolas este mês, e a subida de preços desses produtos abrem melhor perspectiva para a balança comercial.

Ele também cita que as remessas de lucros e dividendos das multinacionais, um dos principais fatores de saída de divisas do país, "está em níveis inferiores a 2008. "Acumulam no ano até abril remessas de US$ 7,9 bilhões, sendo US$ 3,346 bilhões somente em abril. Em maio até hoje já saíram US$ 2,265 bilhões.

O que preocupa o BC, do lado das despesas, é o "desbravamento" de brasileiros ao exterior. A conta de viagens internacionais ficou negativa em US$ 2,453 bilhões no quadrimestre, ante menos US$ 877 milhões em período igual do ano passado. E somente neste mês até hoje, as viagens estão liquidamente negativas em US$ 582 milhões.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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