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25/05/2010 - 17h15

Importação de máquinas e equipamentos chineses alcança 12,2% do total

SÃO PAULO - A China já representa 12,2% do total das importações de máquinas e equipamentos no Brasil, segundo balanço divulgado hoje pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O país asiático - que representava apenas 2,1% das importações em 2004 - é atualmente o terceiro maior fornecedor externo desses produtos ao Brasil, encostando na Alemanha, que respondeu por 12,7% do total importado nos quatro primeiros meses deste ano.

Os Estados Unidos ainda lideram a lista das principais origens, com uma participação de 25,4%. No entanto, enquanto as compras das manufaturas americanas e alemãs estão em queda, as importações de máquinas e equipamentos chineses mostram crescimento de 51,2% neste ano.

Dessa forma, a expectativa é de que a China supere a Alemanha nos próximos dois meses, afirmou Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, durante apresentação dos resultados do setor em abril.

Segundo ele, uma situação parecida começa a ser desenhada pelos produtos da Índia, que tinham uma participação insignificante nas importações brasileiras - apenas 0,2% em 2004 -, mas que hoje já respondem por 2,7% do total importado por aqui.

Para Aubert Neto, além de fatores relacionados ao câmbio, ajuda a explicar esse movimento o avanço das empresas de capital indiano ou chinês sobre diversos setores da economia brasileira.

"Quando essas empresas precisam de componentes, compram diretamente do país de origem", disse o presidente da entidade, citando a participação da Índia no setor sucroalcooleiro, além do avanço da China no setor elétrico, com a recente compra de sete distribuidoras de energia pela estatal chinesa State Grid.

De janeiro a abril, as importações brasileiras de máquinas e equipamentos atingiram US$ 6,737 bilhões, uma alta de 4,2% na comparação anual. Como as exportações somaram US$ 2,6 bilhões em igual período, o setor acumulou um déficit comercial de US$ 4,138 bilhões, 5,8% acima do saldo negativo dos quatro primeiros meses de 2009.

A expectativa da Abimaq é de que essa cifra supere US$ 12 bilhões até o fim do ano e fique acima do défict comercial registrado pela indústria de máquinas e equipamentos em 2009, de US$ 11,146 bilhões.

Embora os resultados do comércio exterior ainda sejam desfavoráveis ao setor, a maior demanda no mercado interno garantiu nos quatro primeiros meses do ano um crescimento de 15,7% no faturamento dos fabricantes desses bens de capital.

Tal resultado é atribuído à recuperação da atividade industrial, junto com medidas do governo destinadas a reduzir custos com o financiamento de máquinas e equipamentos no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). "Não fosse isso, estaríamos bem pior", disse Aubert Neto.

O dirigente ainda informou que os reajustes no preço do aço começarão a pressionar as margens nos próximos dois meses, com o fim de estoques dos insumos siderúrgicos. Parte desse aumento de custo terá que ser repassado, disse.

De acordo com ele, o peso do aço na composição dos preços varia de acordo com o produto, podendo chegar a 80% nos casos de alguns implementos agrícolas. (Eduardo Laguna | Valor)

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