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25/05/2010 - 12h12

Inflação de alimentos perde força e tira prêmio dos DIs

SÃO PAULO - O movimento de baixa prossegue no mercado de juros futuros, com apoio na piora da cena externa e melhores indicadores de inflação no mercado local. Vale lembrar que, para parte do mercado, o Banco Central (BC) pode vir a ser menos incisivo no ajuste dos juros em função da crise externa.

Pelo lado doméstico mais um indicador semanal de preços mostra menor pressão dos alimentos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), recuou de 0,46% para 0,35% entre a segunda e a terceira prévia. Os alimentos saíram de 0,96% para 0,59%.

Captando esses dois eventos, por volta das 12h10, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em junho de 2010 marcava estabilidade, a 9,38%. Julho de 2010 caía 0,02 ponto, a 9,75%. E janeiro de 2011, referência de mercado, declinava 0,06 ponto, a 10,85%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 tinha baixa de 0,06 ponto, a 11,95%. Janeiro 2013 devolvia 0,05 ponto, projetando 12,24%. E janeiro 2014 recuava 0,02 ponto, a 12,29%.

O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, disse que o mercado já estava precificando uma desaceleração da inflação para o período maio/junho, mas uma surpresa positiva pode acontecer, com uma queda maior do que a estimada. "E isso pode ajudar mais a curva de DI de julho em diante." Ainda de acordo com o especialista, o comportamento dos IPCs semanais sugere uma leitura menor de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) agora em maio.

Para Velho, esse recuo da inflação somado ao desempenho da economia no primeiro trimestre pode levar o BC a desacelerar o ritmo de ajuste da Selic na reunião de julho para 0,5 ponto.

"Isso ainda é aposta minoritária, mas pode ganhar força conforme o tamanho da queda do grupo alimentação e o desempenho do PIB", explica. Para junho, a corretora mantém a previsão de 0,75 ponto de ajuste.

Na percepção do economista, essa teoria ganha força se o crescimento do trimestre rondar os 2%. No entanto, se o PIB mostrar alta mais próxima de 3% no comparativo com o quarto trimestre, o mercado deve manter a precificação atual.

Analisando, agora, o contexto internacional, Velho aponta que os desenvolvimentos externos pesam mais sobre a curva longa. O economista lembra que há uma aposta de que, se os preços internacionais continuarem caindo, o BC vai apertar menos ou juros ou fazer um ciclo de alta com menor duração. "Então é lógico que a curva longa continue caindo." Fora isso, diz o especialista, o juro longo está atrativo, chamando investidores, o que também ajuda a explicar parte da queda.

Na gestão do endividamento público, o Tesouro vende Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). A primeira etapa, que acontece hoje, tem liquidação financeira. Amanhã, na segunda etapa, a liquidação é por troca de títulos.

(Eduardo Campos | Valor)

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