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26/05/2010 - 18h20

Brasil deve crescer mais que a China no 1º trimestre, estima Itaú

SÃO PAULO - O crescimento da economia brasileira deve ter superado o da China no primeiro trimestre, segundo cálculos do Itaú Unibanco. A estimativa da instituição é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tenha se expandido 3% entre janeiro e março, na comparação com os três últimos meses de 2009, superando os 2,5% projetados para a economia chinesa.

"E nós estamos sendo conservadores. Os indicadores apontam para um crescimento de 3,6%", destaca Illan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco. A projeção robusta tem como base a forte demanda interna, que foi impulsionada pelo consumo e pelos investimentos.

"O consumo, que representa 60% da riqueza do país, subiu muito devido sobretudo aos incentivos fiscais. Os investimentos, por sua vez, tiveram aumento de quase 30% em temos anualizados", afirma Aurélio Bicalho, economista da instituição, ressaltando o amplo impacto dos investimentos na economia. Num primeiro momento, eles representam elevação de demanda e, na sequência, possibilitam o aumento da capacidade instalada para expansão da oferta.

Bicalho lembra que a economia brasileira vem crescendo forte desde novembro, a uma taxa anualizada de 12% ao ano. "Nesse trimestre, os automóveis impulsionaram muito o PIB, assim como outros bens duráveis. Mas, daqui pra frente, esses itens não só deixarão de ajudar como pesarão nos resultados, devido ao fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido", diz o economista.

Para os próximos meses, o Itaú Unibanco espera uma forte desaceleração da economia brasileira, que deve crescer 1,2% no segundo trimestre e 1% nos dois trimestres seguintes. O freio no crescimento deverá ser reflexo também da crise na Europa. Ainda assim, o PIB brasileiro deve ter expansão de 7,5% no ano pelas estimativas da instituição. Já o crescimento da zona do euro deve se restringir a 1,2%, bastante abaixo da média mundial, que é de 4,5%. O Itaú Unibanco não descarta uma piora na crise na Europa, mas trabalha com um cenário de estabilidade. "Se houver uma deterioração do cenário externo, poderemos ter queda no PIB da Europa. Nesse caso, a China, que exporta para os europeus, acabará vendendo menos e nós, que exportamos para a China, também comercializaremos menos", afirma Goldfajn.

Outro impacto que o Brasil poderia sofrer seria por vias financeiras. "Por melhor que o Brasil esteja, ele ainda é um país emergente. Não é o lugar mais seguro do mundo e, num momento de incertezas, os investidores se abrigam nos Estados Unidos", explica Goldfajn.

Na economia real, isso se traduziria em redução do crédito e dos investimentos das empresas europeias no Brasil. O cenário mais pessimista, entretanto, não assusta os economistas do Itaú Unibanco. Ainda que a Europa entre em recessão, Goldfajn afirma que o governo teria meios e fôlego para combater a crise. "Os juros, por exemplo, continuam bastante altos. Só com essa ferramenta já seria possível reforçar a economia", avalia o economista.

(Francine De Lorenzo | Valor)

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