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26/05/2010 - 14h11

Para FMI, economia brasileira não está superaquecida

BRASÍLIA - Após reiterar elogios sobre o avanço econômico do Brasil, apesar da crise, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse hoje estar preocupado se o governo brasileiro "conseguirá manter esse alto crescimento" também em 2011. Ele prevê que a economia brasileira crescerá entre 4% e 4,5% no ano que vem.

Segundo ele, a projeção do governo de que haverá uma desaceleração da economia no segundo semestre "é positiva". "Porque não gostaríamos de ver um superaquecimento", afirmou.
Aliás, ele repeliu a possibilidade de superaquecimento da economia brasileira em vários momentos durante entrevista coletiva conjunta com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O ministro brasileiro disse que será no primeiro trimestre do ano o maior crescimento da atividade, entre 2% e 2,5%, por conta ainda dos efeitos dos estímulos anticrise, que acabaram. Mas haverá uma desaceleração no segundo semestre, de forma que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá entre 5,5% e 6%.

"É só ver, por exemplo, que setores como o automobilístico já arrefeceu as vendas ", disse Mantega. "Para nós, é importante um crescimento sustentado, de longo prazo", reiterou ele.

Strauss-Kahn disse aprovar a retirada dos estímulos, que a economia no Brasil cresce a um ritmo desejável, mas que a preocupação é com o seguimento do ritmo forte de crescimento nos próximos anos.

Ainda sobre a situação interna, o diretor-gerente do FMI concordou com a retirada dos estímulos anticrise e voltou a elogiar a "boa condução das políticas econômica e monetária" durante a crise mundial de 2008-2009.

Ele avaliou que a inflação está sob controle e a dívida pública em trajetória descendente, "o tipo de política que eu gostaria de ver em outros países".

Strauss-Kahn disse que não vê problemas na condução da política fiscal brasileira, que a ser ver está no caminho "correto". Ele também não quis responder, de forma direta, se o Banco Central deveria elevar ainda mais os juros para conter a inflação. Apenas afirmou que o crédito deve ser administrado "com cautela."
Mantega complementou que há outros instrumentos de controle da inflação além da taxa de juros. O ministro disse que "nem dá para falar em controle, mas administração da inflação", que segundo ele está em queda, por arrefecimento de pressão anterior dos alimentos.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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