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26/05/2010 - 18h40

Serra vê descoordenação na política econômica atual

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse que o fato de o Brasil ter a maior taxa de juros do mundo não é uma fatalidade. Ele acredita haver "descoordenação" entre as políticas fiscal, monetária e econômica, atualmente.
Para que o país tenha horizonte de crescimento sustentado por muitos anos, será necessário, segundo Serra, ter política macroeconômica adequada, sem que o Banco Central e o Ministério da Fazenda entrem em conflito. "Tem que ter um sistema de decisões, e não áreas isoladas e até brigando entre si", disse.
Serra criticou a taxa de juros elevada e disse não acreditar que sua redução possa levar a um problema de crescimento acelerado do país. "O que tem o Brasil, além da jabuticaba, de diferente para ter sempre a taxa de juros mais alta? Temos os juros mais altos do mundo, junto com a maior carga tributária entre os países em desenvolvimento e junto com uma das mais baixas taxas de investimento governamental do mundo. São distorções", acredita.
O pré-candidato disse que não mexeria com a política de câmbio flutuante, nem com o regime de responsabilidade fiscal ou com as metas de inflação. "Vamos manter isso. Mas dizer que esse sistema produz apenas um resultado é absurdo", disse.
O candidato cumprimentou eleitores pelas ruas do Rio de Janeiro e andou de metrô, até a Glória, onde encontrou-se com o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Eles trataram de questões sociais e da ajuda da Igreja Católica ao governo no combate à pobreza. "No Brasil, a questão social tem que ser implantada pelo governo, mas sobretudo pelas parcerias que podem ser feitas com a sociedade".
Serra defendeu a utilização dos recursos do petróleo como investimentos na economia e na área social. "Devem ser gastos cujos efeitos passem a ser permanentes, que não se dissolva, em questões de curto prazo. E investimento social é mais valioso até do que comprar máquinas ou fazer estradas, embora isso também seja indispensável", disse.
Mais cedo, ele concedeu entrevista à Rádio Globo, onde disse ter defendido a CPMF, mesmo com o PSDB sendo contra o chamado imposto do cheque. No entanto, caso seja eleito, ele disse ser preciso utilizar melhor os recursos já existentes para a saúde, "ao invés de só conseguir mais dinheiro para o setor".
Serra pretende também fortalecer o programa Bolsa Família e fazer com que chegue a locais onde ainda não foi implementado. Para que o programa social seja fortalecido e ganhe novas marcas, o candidato do PSDB pretende, caso eleito, associá-lo a outros programas de cunho social, como aqueles voltados à educação profissionalizante e à saúde.
(Juliana Ennes/ Valor)

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