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26/05/2010 - 14h23

Telefónica não descarta OPA hostil pela Vivo e órgão pede explicações

SÃO PAULO - O conflito entre a espanhola Telefónica e a portuguesa Portugal Telecom pela Vivo ganhou mais um episódio nesta quarta-feira. Depois da afirmação da Telefónica sobre a possibilidade do lançamento de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) hostil à portuguesa, o órgão regulador do mercado português pediu explicações à espanhola.
Em entrevista ao Financial Times, o diretor financeiro da Telefónica, Santiago Fernandez Valbuena, afirmou que não está afastada a hipótese de lançamento de uma OPA hostil, caso a PT se recuse a vender sua participação na Vivo.
Depois disso, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal pediu à Telefônica a prestação de esclarecimentos ao mercado sobre as declarações do executivo. "A CMVM solicitou à Telefónica que explique essas declarações e as circunstâncias em que admite lançar essa oferta", afirmou o órgão regulador em nota.
Em resposta, segundo informa a imprensa espanhola, a Telefónica afirmou que a decisão não foi tomada ainda, mas que a empresa de telefonia não descarta, nas atuais circunstâncias, qualquer alternativa possível.
Nesta semana, a operadora espanhola tornou público um documento que utilizará em sua série de apresentações internacionais, o chamado road show, para convencer os acionistas institucionais da PT a aprovarem sua proposta pela Vivo. No documento, a empresa mostra que há a possibilidade de bloquear a repartição de dividendos da Brasilcel, a holding que controla a participação conjunta dos grupos.
A política de repartição de dividendos da Brasilcel depende do acordo com a Telefónica e a divisão "pode estar em perigo", afirma a espanhola na descrição do road show. Além disso, ela acusa o conselho da Portugal Telecom de não estar totalmente alinhado com a criação de valor para o acionista.
Alguns analistas, no entanto, não acreditam no sucesso da compra simples da participação na Vivo da PT pela espanhola. "A Portugal Telecom não está disposta a se desfazer de sua galinha dos ovos de ouro", afirma o analista de telecomunicações da IDC Brasil, João Paulo Bruder. Segundo ele, uma saída para a Telefónica é tentar dissuadir os acionistas da PT para adquirir pelo menos 1% das ações da Vivo.

Para convencer os acionistas, a operadora pode partir para um acordo comercial, afirma Bruder, oferecendo maior participação nos lucros da Vivo à Portugal Telecom. "Poderia ser algo como 60% a 40% inicialmente", diz o analista.
Na visão do especialista, "mesmo que o acordo pareça inicialmente desvantajoso para a operadora espanhola, o ganho do controle acionário permitirá que a empresa inicie um processo de integração entre as redes de telefonia e banda larga móvel e fixa, ganhando sinergia, nos moldes do que vai ocorrer entre Claro e Embratel".

A hostilidade entre os dois grupos, que detém juntos mais de 50% da participação da Vivo, começou quando a Telefónica lançou uma oferta no início do mês à PT no valor de 5,7 bilhões de euros, que foi recusada pela portuguesa. Quando negou a oferta, a PT argumentou que a Vivo é muito importante para suas operações. A Telefónica alega que a rejeição foi tomada em pouco tempo, sem a devida análise dos investidores internacionais.
Em Madrid, as ações da Telefónica avançaram quase 2%, enquanto as da Portugal Telecom subiam mais de 7% em Lisboa. Em São Paulo, os papéis da Vivo, por sua vez, tinham valorização de mais de 4%.
(Vanessa Dezem e Daniela Braun| Valor, com agências internacionais)

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