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27/05/2010 - 12h15

Desemprego causa surpresa e estimula alta nos DIs

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros mostram consistente movimento de alta nesta quinta-feira. O aumento nos prêmios de risco decorre da surpresa com os dados de desemprego. A taxa caiu de 7,6% para 7,3% em abril, menor leitura da série, contrariando a expectativa de estabilidade.

Com mais esse renovado sinal de força da economia, os agentes reavaliam a expectativa sobre o aumento na taxa de juros. Até então, os contratos vinham perdendo prêmio, pois a crise externa poderia levar o BC a se menos agressivo no ajuste de juros em função de menor crescimento global.

Por volta das 12h10, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010 subia 0,03 ponto, a 9,82%. Janeiro de 2011, referência de mercado, registrava elevação de 0,06 ponto, a 10,96%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 aumentava 0,09 ponto, a 12,05%. Janeiro 2013 avançava 0,04 ponto, projetando 12,28%. Janeiro 2014 também acumulava 0,02 ponto, a 12,29%.

Segundo o economista da consultoria LCA, Fábio Romão, o tema envolvendo a Europa continua em voga e pode, realmente, levar o Banco Central (BC), a ter mais cautela no ajuste de juros. No entanto, diz o economista, esses dados de emprego apresentados hoje reforçam a visão de que a autoridade monetária pode vir a aumentar o ritmo de aperto monetário para 1 ponto percentual na reunião de junho.

"Seria interessante o BC criar uma surpresa ao subir mais do que o 0,75 ponto majoritariamente esperado pelo mercado", diz Romão, afirmando que tal medida seria interessante para conter as expectativas.

Apesar da incerteza trazida pela crise da Europa, o economista aponta que a atividade global deve trilhar recuperação ao longo do segundo trimestre. Isso pode incentivar uma reposição no preço das commodities. Movimento que pode ter impacto nos preços de 2011.

Pela lado doméstico, é possível esperar maior inflação pelo lado da demanda, já que o baixo desemprego aumenta a confiança e abre espaço para repasses e aumentos de preços também pelos prestadores de serviços.

Analisando os dados do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE), Romão destaca o comportamento da taxa com ajuste sazonal, que caiu de 7% para 6,7% em abril, a menor já vista desde o começo da série em 2002. "Isso reforça a impressão de gargalos no mercado de trabalho", diz Romão.

O setor onde isso é mais evidente é o de construção. O estoque de mão de obra no setor cresceu 10,5% em abril, no comparativo anual, contra um crescimento de todos os setores acompanhados de 4,3%.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Eduardo Campos | Valor)

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