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27/05/2010 - 16h20

Desemprego e cena externa puxam DIs para cima

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros tiveram acentuado movimento de alta nesta quinta-feira. Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otavio de Souza Leal, os números de desemprego que saíram hoje pela manhã trouxeram o mercado de volta à realidade. Foi um lembrete de que não há dúvida de que a economia brasileira está superaquecida.

No entanto, pondera o especialista, o mercado de juros ainda está muito sensível à sinalização que provém do mercado externo. Então, tal comportamento da curva, hoje, também reflete essa queda de aversão ao risco em âmbito global.

"Se esse o dado tivesse saído em um dia mais pessimista, creio que o resultado não seria o mesmo em termos de abertura de taxa", diz Leal.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010, o mais líquido do dia, subia 0,04 ponto, a 9,83%. Agosto de 2010 aumentava 0,04 ponto, a 10,05%. E janeiro de 2011 ganhava 0,08 ponto, projetando 10,98%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 marcava alta de 0,12 ponto, a 12,08%. Janeiro de 2013 avançava 0,08 ponto, a 12,32%. E janeiro 2014 ganhava 0,05 ponto, também a 12,32%.

Até as 16h15, foram negociados 1.439.860 contratos, equivalentes a R$ 134,79 bilhões (US$ 73,01 bilhões), o dobro do registrado ontem. O vencimento julho de 2010 foi o mais negociado, com 760.115 contratos, equivalentes a R$ 75,33 bilhões (US$ 40,80 bilhões).

Para Leal, a tomada de decisão no mercado de juros está em cima das seguinte questões: Se a crise lá fora se aprofundar, será que o BC terá espaço para ser menos incisivo no ajuste da Selic? E se a crise amainar, o BC olhará exclusivamente para o mercado doméstico? Na visão o economista, é prematuro pensar em aumento no ritmo de ajuste da Selic com um cenário externo tão nebuloso. Olhando além da reunião de 8 e 9 de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), Leal acredita que os dados de atividade devem mostrar uma arrefecimento da economia. A produção industrial, que sai na semana que vem, deve mostrar variação negativa, assim como as vendas no varejo. E inflação também deve perder força seguindo o recuo no preço dos alimentos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego caiu de 7,6% para 7,3% em abril, contrariando a expectativa de estabilidade.

Para o Banco Safra de Investimento tal desempenho do mercado de trabalho mostra economia se não superaquecida, "hiperaquecida".

Dessa forma, o cenário do banco é de forte elevação da inflação de serviços nos próximos meses. Fora isso, como o recuo da taxa de desocupação é acompanhado pelo aumento do rendimento médio e da massa de salários, tal dinâmica deve gerar significativa pressão inflacionária dentro do próprio mercado de trabalho nos próximos meses. Algo que deve se mostra mais intenso, principalmente, no segmento de mão de obra mais qualificada.

"Assim, julgamos que várias categorias profissionais devem obter, sobretudo no segundo semestre, reajustes salariais acima da inflação", disse a instituição em relatório. O Banco Safra também mostra uma curiosidade. O desemprego de 7,3% no Brasil é um dos menores do mundo. Só para dar uma ideia, na Espanha, a taxa é de 19%, Turquia (14,5%), Polônia (13%), Chile (8,5%), Rússia (8,6%), Argentina (8,4) e EUA (9,9%).

(Eduardo Campos | Valor)

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