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27/05/2010 - 19h17

Europa sofre ataque especulativo, afirma premiê de Portugal

SÃO PAULO - O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, afirmou hoje que a Europa sofre um ataque especulativo do mercado financeiro, sem fundamento econômico.

Apesar da desconfiança de investidores sobre a capacidade de países europeus em honrar suas dívidas, Sócrates assinalou que os indicadores de déficit da União Europeia são comparáveis aos dos Estados Unidos e do Japão.

Sobre Portugal, que está no foco dos temores, o premiê disse que o país foi um dos que melhor resistiu à crise e está acelerando programas de redução do déficit fiscal, com vista a restabelecer a confiança dos investidores. A meta portuguesa para este ano é reduzir o déficit fiscal de 9,4% para 7,3%, por meio de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos. "Tínhamos pensado em reduzir em um ponto percentual, mas decidimos tomar medidas para que esse déficit seja reduzido em dois pontos neste ano. Essas medidas vão ser discutidas pelo Parlamento muito em breve", afirmou o premiê, que visita o Brasil e participou hoje de encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com o premiê, a Europa decidiu alterar "ligeiramente" sua estratégia de recuperação econômica neste ano para dar mais foco à austeridade fiscal. "O que fizemos foram medidas que permitissem devolver a confiança dos mercados sobre as dívidas soberanas", assinalou Sócrates.

Durante o encontro, ele também elogiou a iniciativa do governo brasileiro de intermediar um acordo nuclear entre Irã e Turquia. "A iniciativa do presidente Lula foi em favor da paz", disse, acrescentando que o presidente brasileiro vai na "direção certa", que deve ser apoiada pela comunidade internacional.

Em sua visita, o primeiro-ministro também discute oportunidades de negócios entre Portugal e Brasil. A partir da experiência adquirida na realização da Eurocopa em 2004, Sócrates disse as empresas portuguesas podem participar dos investimentos para a Copa do Mundo de 2014 em áreas como segurança e infraestrutura de estádios. "São matérias que dominamos", disse. "A tarefa de organizar uma Copa é uma tarefa muito exigente", acrescentou o premiê.

(Eduardo Laguna | Valor)

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