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27/05/2010 - 17h18

Indústria deve reduzir ritmo de crescimento, prevê Fiesp

SÃO PAULO - A indústria de transformação paulista deve manter a tendência de crescimento nos próximos meses, mas num ritmo menor. A acomodação, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), será positiva para evitar eventuais pressões na economia. Mesmo assim, a entidade estima que o setor possa retomar entre maio e junho os níveis de produção do período pré-crise.

"O ritmo de aceleração está se atenuando num patamar razoável, o que é bom, porque o carrinho que está correndo, se ficar muito acelerado, não aguenta. Não seria possível manter a taxa de crescimento verificada até o momento ao longo de todo este ano. Trata-se de uma questão de logística. Toda a cadeia precisaria crescer de forma harmônica para não termos pressões", avaliou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

O setor ainda está 1,5% abaixo do patamar pré-crise. "Podemos até recuperar o nível em maio. Basta termos um desempenho vigoroso neste mês", observou André Rebelo, gerente do Depecon. No ano, o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria acumula um crescimento de 16,8%, sendo o maior avanço para os quatro primeiros meses do ano desde 2003. Boa parte da expansão, no entanto, se deve à base baixa de comparação no ano passado por conta da crise financeira mundial. Em abril, o índice registrou uma queda de 0,4% na série sem ajuste sazonal. Trata-se do primeiro resultado negativo em 14 meses. Sem correção, o INA teve um recuo de 5,6%. Para Francini, não há motivos para preocupação, já que os números de abril foram influenciados pela retração de 2,7% no total de vendas reais da indústria. "Portanto, não tem nada a ver com as linhas de produção. Não estamos vendo interrupção do crescimento", ressaltou. Já a redução nas vendas, segundo ele, reflete o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido no mês de março para alguns setores, o que levou mais pessoas às compras neste período. "De qualquer maneira, não acreditamos em nova queda nas vendas para os meses seguintes", acrescentou. Os veículos automotores foram um dos setores mais afetados com o fim do imposto reduzido. No mês passado, o indicador neste segmento caiu 3,2% ante março. Celulose, papel e produtos de papel, por sua vez, se manteve praticamente estável, com uma leve oscilação de 0,2% para baixo. Já o nível de utilização da capacidade instalada da indústria paulista ficou no mês de abril em 82,1%, contra os 80,5% apurados em março. Francini afirmou que o índice não traz preocupações e nem tem capacidade para gerar pressões inflacionárias.

(Fernando Taquari | Valor)

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