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28/05/2010 - 10h27

China diz que não vai proteger responsáveis por incidente sul-coreano

SÃO PAULO - O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou nesta sexta-feira que não irá proteger os responsáveis pelo naufrágio do navio de guerra da Coreia do Sul ocorrido em março deste ano, deixando 46 tripulantes mortos.
Jiabao, entretanto, ressaltou que a China ainda não chegou à conclusão de que a Coreia do Norte seja a responsável pela tragédia, segundo informações da agência sul-coreana Yonhap.
O premiê chinês chegou hoje à Coreia do Sul para participar de uma reunião trilateral, que contará também com a participação do Japão. Em seu discurso de duas horas em Seul, Jiabao disse que a China "se opõe e censura qualquer tipo de ato destruidor da paz e da estabilidade na península coreana", informou o secretário-sênior do escritório presidencial da Coreia do Sul, Lee Dong-kwan, citado pela Yonhap.
Jiabao disse ainda que Pequim ainda não decidiu se aceita os resultados da investigação liderada pela Coreia do Sul e realizada por especialistas de diversos países constatando que a Coreia do Norte foi a responsável pelo disparo do torpedo que afundou o navio sul-coreano.

A Coreia do Norte nega qualquer responsabilidade com o incidente e ameaça dar início a uma guerra caso sejam tomadas medidas para punir o país pela tragédia. "O governo chinês irá tomar uma posição de forma objetiva e justa, com o esclarecimento dos direitos e dos erros diante da situação, considerando a investigação e a resposta da comunidade internacional", afirmou o primeiro-ministro chinês.
De acordo com o porta-voz da presidência sul-coreana, Jiabao deixou claro que "a China não poderia amparar ninguém" considerado culpado. Os comentários vieram em resposta ao pedido de apoio da Coreia do Sul em relação aos conflitos na península coreana.

De acordo com porta-voz da presidência da Coreia do Sul, o presidente Lee Myung-bak explicou a posição de seus país em um "tom forte", mostrando ao premier chinês um documento com os resultados da investigação internacional. "Em particular, o presidente Lee salientou que a China deve desempenhar um papel ativo no sentido de fazer com que a Coreia do Norte admita sua culpa", afirmou.
A Coreia do Sul planeja levar o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para que sejam aplicadas punições. Seul já anunciou suas próprias medidas punitivas contra sua vizinha do norte, suspendendo quase todas as trocas inter-coreanas.
A cooperação da China, ressalta a agência de notícias sul-coreana, é crucial para os esforços diplomáticos de Seul junto à ONU. Detentora do poder de veto no Conselho de Segurança, a China costuma amenizar as resoluções punitivas à Coreia do Norte, incluindo aquelas referentes a testes nucleares.
A prioridade da China, segundo analistas consultados pela Yonhap, é manter seus vizinhos sob controle. Japão, Estados Unidos e outros países têm se posicionado a favor da Coreia do Sul.
(Francine De Lorenzo | Valor, com agências internacionais)

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