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28/05/2010 - 14h49

Não há tendência de alta no IGP-M, diz FGV

SÃO PAULO - Apesar de o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) ter registrado neste mês a maior alta desde julho de 2008, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) não vê tendência de alta para o indicador. "Para se ter uma tendência inflacionária é preciso haver um aumento generalizado de preços, e não é isso que estamos vendo", diz o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.

Em maio, o IGP-M subiu 1,19%, desempenho impulsionado sobretudo pelo reajuste de 49,76% no minério de ferro. A commodity fez o índice de matérias-primas brutas saltar de 0,47% em abril para 5,83% neste mês.

O forte impacto provocado pelo minério de ferro, entretanto, não é o que mais incomoda Quadros. "Me preocupa mais o desempenho dos serviços, que vêm sendo reajustados a um ritmo de 6% ao ano", diz.

O coordenador de Análises Econômicas da FGV explica que o impacto do aumento do minério de ferro é pontual, uma vez que o reajuste nos preços acontece anualmente. "Ainda que haja algum repasse, o aumento de preços ficará restrito aos produtos da cadeia. Toda alta concentrada num grupo específico de produtos tem poucas chances de permanecer por muito tempo", afirma.

Já no caso de serviços, o comportamento dos preços está intimamente relacionado à demanda, que vem crescendo em função das melhores condições de emprego e renda. "Esses preços são mais difíceis de controlar porque não interessa a ninguém reduzir os níveis de emprego e renda", explica Quadros.

Para combater a alta de preços nos serviços, o coordenador de Análises Econômicas da FGV diz que é necessário combinar a política monetária com medidas fiscais, como o corte de gastos por parte do governo e a retirada dos benefícios fiscais. "Com isso, é possível converter a inflação novamente para o centro da meta em 2011", avalia.

Sem estimar números, Quadros destacou que o IGP-M deve ficar volátil nos próximos meses devido à forte influência do mercado externo sobre o indicador. "O crescimento do mundo está muito desigual, diferentemente do que se via em 2008, quando todos os países registravam expansão. Os acontecimentos lá acabam tendo reflexos no Brasil", afirma. O câmbio, que no passado exercia grande impacto sobre o IGP-M, agora deve permanecer neutro.

Também é de se esperar que, até junho, o indicador sofra pressão do Índice Nacional de Custos da Construção Civil (INCC) devido ao reajuste nos salários dos trabalhadores do setor. O INCC é um dos componentes do IGP-M, contribuindo com 10% do indicador.

Os economistas consultados pelo Banco Central para o Boletim Focus esperavam que o IGP-M acumule em 2010 alta de 8,75%.

(Francine De Lorenzo | Valor)

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