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31/05/2010 - 18h16

Bovespa consolida pior desempenho mensal desde o auge da crise

SÃO PAULO - Embora tenha fechado o último pregão do mês em alta, o Ibovespa não escapou de registrar o pior desempenho mensal desde outubro de 2008, no auge da crise financeira, quando havia despencado quase 25%.

No mês, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 6,64%, ou 4.483 pontos, em meio ao aumento da aversão a risco, tendo em vista o agravamento da situação fiscal europeia e os temores de um contágio da crise grega a outros países da região.

No período, o índice rompeu o nível psicológico dos 60 mil pontos e perdeu o chamado "suporte gráfico", com seguidas notícias negativas no mercado europeu, embora indicadores americanos venham reforçando a melhora da economia daquele país.

Apenas nesta segunda-feira, o Ibovespa fechou no campo positivo, com os ganhos acentuados no fim do dia. O encerramento do mês estimula os gestores a buscarem um melhor desempenho em suas carteiras, especialmente em um dia fraco de notícias e de ausência do mercado americano, que não operou devido ao feriado.

O Ibovespa subiu 1,77%, aos 63.046 pontos, com giro financeiro de apenas R$ 3,896 bilhões.

O principal estímulo para a Bolsa partiu das blue chips, com destaque para a Petrobras. Os papéis ON da estatal subiram 5,15%, a R$ 34,08, enquanto os PN se apreciaram em 4,96%, R$ 29,60, com giro de R$ 413,4 milhões.

Já as ações PNA da Vale avançaram 2,21%, para R$ 42,88, com volume negociado de R$ 503,9 milhões. OS papéis ON, por sua vez, subiram 2,14%, a R$ 50.

Segundo analistas do mercado, os investidores reagiram à possibilidade de um novo reajuste dos preços do minério de ferro no terceiro trimestre do ano.

De acordo com matéria publicada pelo "Estado de S. Paulo" no último sábado, a Vale deverá aplicar um novo aumento sobre o preço do minério a partir do dia 1º de julho, na casa de 35% O gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche, comentou que a notícia pode, de fato, ter surtido efeito sobre os preços do papel, mas que o anúncio, em si, não tem grande representatividade, já que o suposto reajuste reflete a alta dos preços já verificada nos últimos três meses.

E, no caso da Petrobras, a valorização dos papéis refletiu apenas uma correção dos preços.

"A Petrobras está vivendo um mundo a parte desde o ano passado, com a incerteza em relação à capitalização, e as ações estão com um grande atraso em relação ao mercado", pontuou Roche.

Ainda no ambiente corporativo, destaque positivo para as ações do setor de telecomunicações. Os papéis PN da Brasil Telecom lideraram a alta, ao subirem 5,68%, a R$ 11,89, enquanto os papéis ON da Telemar se valorizaram em 5,26%, a R$ 35,79, e os PN tiveram ganhos de 5,08%, a R$ 29,77.

Segundo o analista da Gradual Investimentos, Marcio Yamachira, a proximidade da assembleia dos acionistas minoritários da Brasil Telecom (BrT), que tem como foco a incorporação pela Oi e que está marcada para o próximo dia 16, pode ter contribuído para o aumento das compras dos papéis.

Os papéis ON da BrT também subiram 5,76%, enquanto as ações PN se apreciaram em 5,68% neste pregão. Já os papéis PNA da Telemar Norte Leste avançaram 3,92%, a R$ 51,9.

"As ações da Telemar estão se recuperando um pouco, depois do que perderam desde o início do ano, em função do imbróglio da incorporação. Agora, com a proximidade da assembleia, o mercado está começando a precificar que a incorporação sairá mesmo, ainda mais com a relação de preço entre os papéis diminuindo ", comentou Yamachira.

Do lado das principais quedas do Ibovespa, figuraram os papéis ON da Rossi Residencial, com baixa de 2,46%, a R$ 13,05, as ações ON da Tim Participações, com recuo de 2,36%, a R$ 7,01, e as ON da Brasil Ecodiesel, com desvalorização de 2,35%, a R$ 0,83.

No mês de maio, as ações do setor de telecom tiveram os maiores ganhos do Ibovespa. Os papéis ON da Tim Participações subiram 16,64%, enquanto as ações ON e PN da Telemar avançaram 14,35% e 13,45%, respectivamente.

No vermelho, os papéis PN da TAM tiveram a perda mais expressiva do mês, com baixa de 21,17%, seguidos pelas ações ON da B2W, com recuo de 20,25%, e PNB da Eletropaulo, com queda de 19,79%.

(Beatriz Cutait | Valor)

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