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31/05/2010 - 12h24

Grécia é só a ponta do iceberg, diz Roubini

SÃO PAULO - Após prever a crise nos Estados Unidos, o economista Nouriel Roubini vê novos capítulos preocupantes para a economia mundial. Durante evento promovido em São Paulo, o economista destacou que a crise na Europa poderá se agravar. "A Grécia é só a ponta do iceberg", afirmou.

Para Roubini, o país enfrenta um grave problema de solvência e, caso não seja possível resolver a questão com as reformas propostas, a saída será buscar a melhor forma de se reestruturar após o default. "A Grécia poderá escolher entre o modelo argentino, caótico, e o uruguaio, organizado. Se a situação se tornar insustentável, melhor que siga o exemplo do Uruguai", disse.

O economista, entretanto, ressaltou que o risco de calote também ronda outras economias da zona do euro, como Portugal, Espanha e Itália. O temor deve-se não só ao alto grau de dívida que esses países apresentam, mas também à forte perda de competitividade de suas economias.

O melhor meio de se contornar a crise, segundo Roubini, é pela austeridade fiscal, com corte de despesas e aumento de impostos. O economista admite que esse é um caminho difícil, devido à grande fragilidade econômica desses países, mas enfatiza que é algo necessário.

Roubini descarta a possibilidade de calote para os países que estão fora da zona do euro, como a Inglaterra, mas isso não deve tornar a recuperação mais fácil. "Esses países têm a vantagem de poder emitir moeda para financiar sua dívida. Mas isso só é válido por algum tempo. Depois, gera-se inflação. Ou seja, teremos um cenário ou de calote ou de inflação - e nenhum dos dois é bom."
Diante desse cenário, o economista prevê um fraco crescimento para as economias desenvolvidas nos próximos anos. A expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) desses países tenha aumento médio de 2% a 3% ao ano, enquanto para os emergentes o potencial fica entre 5% e 8% ao ano.

"Enquanto tivermos baixa geração de empregos, não há melhoras na confiança do consumidor. Sem confiança, o crédito não cresce e a economia não se desenvolve", explicou.

(Eduardo Laguna e Francine De Lorenzo | Valor)

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