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31/05/2010 - 11h10

Mercado aéreo deve triplicar, mas país tem obstáculos, diz Ipea

SÃO PAULO - O mercado doméstico de transporte aéreo de passageiros deve mais do que triplicar de tamanho nos próximos 20 anos. No entanto, esse crescimento vertiginoso exigirá soluções de uma série de obstáculos enfrentados pelo setor, como as deficiências na infraestrutura aeroportuária e a elevada carga tributária aplicada às companhias aéreas.

O diagnóstico é traçado em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que também inclui a busca por redução de custos e produtividade - ante um ambiente de tarifas cada vez mais baixas - entre os desafios aos próximos anos.

De acordo com o levantamento, o Brasil está entre os países emergentes com maior potencial de desenvolvimento do transporte aéreo devido à combinação de fatores como a dimensão continental do território, a alta mobilidade social da população e a tendência de estabilidade monetária no longo prazo, o que repercute em maior poder aquisitivo dos consumidores. A realização no país da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 também é apontada entre os fatores que vão puxar a movimentação em aeroportos brasileiros, mesmo nas cidades não envolvidas diretamente na organização desses eventos.

Essa boa perspectiva, contudo, colide com obstáculos e gargalos nos campos institucional, legal e operacional. Isso porque o crescimento de demanda não foi acompanhado por um adequado planejamento de longo prazo ao sistema de aviação civil, assim como por políticas públicas consistentes e um marco legal e regulador mais condizente com o novo ambiente competitivo. Fora isso, o setor ainda enfrenta "notórias deficiências" nas infraestruturas aeroportuária e aeronáutica. "Além do mais, não se tem uma definição clara de estratégias para a aviação brasileira nos próximos 30 anos", assinala o documento.

Por outro lado, o estudo destaca que as companhias aéreas se fortaleceram nos últimos anos, apesar da ocorrência de um "apagão aéreo". Nesse ponto, a compra da Varig pela Gol marcou uma evolução no sentido de resgatar a tradição da marca, diz o levantamento. A pesquisa também ressalta a melhora de competitividade a partir da entrada da Azul Linhas Aéreas e o crescimento da Webjet.

Não obstante, o chamado "custo Brasil" - com seus gargalos em infraestrutura e carga tributária pesada - ainda representa um fator de perda de competitividade para as empresas do setor, quando se faz uma comparação com a realidade de outros países (Eduardo Laguna | Valor)

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