UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

31/05/2010 - 18h33

Mesmo com CVM, Itaú Unibanco diz que não havia decisão sobre fusão

RIO- Os empresários Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, acusados de irregularidades em operações de ações do Itaú e do Unibanco antes da operação de fusão dos bancos divulgaram nota, alegando que, na época, "não havia qualquer decisão sobre a associação entre os dois bancos, nem a certeza do que poderia vir a ocorrer". No entanto, resolveram fechar um termo de compromisso para "resolver rapidamente a questão". "Considerando os pequenos valores envolvidos e a fim de resolver rapidamente a questão, os quatro executivos optaram por celebrar o Termo de Compromisso com a CVM", conforme nota divulgada pelo Itaú Unibanco. Roberto Setúbal vai pagar R$ 267,6 mil, e Pedro Moreira Salles, Israel Vainboim e Francisco Eduardo de Almeida Pinto pagarão R$ 150 mil, cada.

O presidente e diretor-geral do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, foi investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por ter comprado 40 mil ações preferenciais da Itaúsa, holding que controlava o Itaú, nos dias 23 e 24 de outubro de 2008.

A operação foi feita antes da divulgação do fato relevante que anunciava a fusão com o Unibanco, realizada no dia três de novembro do mesmo ano. Apesar de o comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do Itaú Unibanco afirmar que não havia ainda decisão sobre a associação entre os dois bancos, admite que "as conversas entre os presidentes das duas instituições já perduravam por mais de 15 meses".

Além disso, as aquisições da Itaúsa por Setubal fariam parte de investimento habitual e "legítimo" do mesmo, ainda mais em momento de preços baixos no mercado. No caso do Unibanco, a CVM investigou a aprovação do aumento do limite de recompra de ações que poderiam ser adquiridas no Programa de Recompra, para 40 milhões de Units, "quando supostamente existia a intenção em promover a reorganização societária que resultou na criação do Itaú Unibanco Holding S.A., divulgada por meio do fato relevante de três de novembro de 2008", de acordo com o comunicado da autarquia. O Itaú Unibanco alegou que, por conta da crise financeira internacional, as ações haviam sido negativamente afetadas, com "fortes indícios" de ataque especulativo sobre as mesmas. "Foi neste ambiente que o então presidente do banco, Pedro Moreira Salles, e os então conselheiros Francisco Pinto e Israel Vainboim aprovaram no Conselho de Administração o aumento do limite de ações que poderiam ser adquiridas no âmbito dos programas de recompra", divulgou a nota. As recompras seriam defesa contra o ataque especulativo. (Juliana Ennes/ Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host