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31/05/2010 - 14h45

Principais aeroportos não conseguem atender à demanda, diz Ipea

BRASÍLIA - Os dez principais aeroportos do país não dispõem de capacidade para atender à demanda por pousos e decolagens, de acordo com estudo apresentado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O estudo do Ipea conclui que a Infraero, principal administradora de aeroportos do país, "não alcança a multiplicidade de obras necessárias para atender ao crescimento da demanda, o que é agravado pela forte pressão política por investimentos, acarretando em excessiva dispersão de recursos".

O coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos, observou que tal dispersão de recursos impede que mesmo os aeroportos superavitários consigam ampliar as instalações. Geralmente, a receita é distribuída com os demais aeroportos administrados pela Infraero que não dispõem de um nível de demanda satisfatório.

As análises do Ipea demonstram que, dos 65 pedidos por pouso e decolagem feitos a cada hora no aeroporto de Guarulhos (SP), somente 53 são atendidos. Em Congonhas (SP), dos 34 solicitações de passageiros feitas a cada hora, somente 24 são atendidas.

Situação semelhante também ocorre nos aeroportos de Brasília, com limitação de 36 movimentações para 45 pedidos registrados a cada hora; Manaus (AM), com 9 movimentações para 17 pedidos; Porto Alegre (RS), com 14 movimentações para cada 20 pedidos; Curitiba (PR), com 14 movimentações para cada 18 pedidos; Santos Dumont (RJ) com 15 pedidos para cada 18 pedidos; Confins (MG), com 16 movimentações para cada 19 pedidos, Pampulha (MG), com 5 movimentações para cada 8 e Natal (RN), com 7 pedidos para cada 8 pedidos.

O estudo do Ipea alerta que a demanda reprimida dos principais aeroportos brasileiros resultam em transtorno para os passageiros. A atual realidade destes aeroportos contribui para o aumento do número de cancelamento e atrasos em voos. Esta preocupação se mostra ainda mais agravada tendo em vista a expectativa de investimentos e aumento da movimentação para a Copa do Mundo de 2014.

Mesmo ao apontar as falhas no setor aéreo brasileiro, o Ipea apresenta um diagnóstico para o setor ao indicar cinco medidas a serem adotadas pelo governo: abertura do capital da Infraero, tornando-a uma sociedade anônima; a concessão do aeroportos com lotes de aeroportos rentáveis e não rentáveis; concessões específicas para os aeroportos rentáveis, com definição clara sobre a fonte de recursos; construção de novos terminais mediante a parceria público-privada (PPP); e construção de novos aeroportos pela iniciativa privada.

(Rafael Bitencourt | Valor)

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