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01/06/2010 - 16h43

Cena externa segura DIs longos em baixa

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros longos seguiram perdendo prêmio de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Já os curtos mostraram certa resistência à queda refletindo a força da atividade econômica local e a manutenção das apostas de que o Banco Central fará novo ajuste de 0,75 ponto percentual na Selic na semana que vem.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento o julho de 2010 subia 0,02 ponto a 9,88%. Agosto de 2010 ficou estável a 10,11%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também apontava estabilidade a 10,96%, mas chegou a cair 10,93% na mínima.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 marcava baixa de 0,05 ponto, a 11,93%. Janeiro de 2013 recuava 0,09 ponto, a 12,14%. E janeiro 2014 perdia 0,08 ponto, a 12,16%.

Até as 16h15, foram negociados apenas 866.850 contratos, equivalentes a R$ 78,58 bilhões (US$ 43,25 bilhões), retornando à normalidade após o fraco pregão de ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 197.855 contratos, equivalentes a R$ 18,60 bilhões (US$ 10,24 bilhões).

O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, aponta que a retração da produção industrial de abril não muda a ideia de que a economia brasileira cresce de forma acentuada.

Segundo o especialista, o ritmo é menor na margem, já que a produção caiu 0,7% em abril, mas a economia entrou com força no segundo trimestre.

Atenção agora ao Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que será apresentado na semana que vem. Para Velho, a economia deve mostrar avanço próximo a 3% sobre o quarto trimestre. Certamente, diz o economista, veremos um ritmo menor no segundo trimestre, mas não a ponto de ajudar o Banco Central no ajuste das condições monetárias.

Para Velho, o que mercado deve monitorar de perto é o mercado de trabalho, que está bastante aquecido. E essa é a mesma variável que permite se esperar um contínuo crescimento do crédito. Uma consequência dessa conjuntura é a maior capacidade de repasse de preços, o que pode dar sustentação a maiores índices de inflação no segundo semestre.

Olhando mais para o curto prazo, o economista aponta que a inflação vai dar uma trégua agora em junho e que isso já está bem precificado na curva futura. Fora isso, temos a incerteza externa dando um viés de baixa nas taxas.

No entanto, aponta Velho, o mercado ainda não mostra aposta fechada para qual será a decisão do Copom em julho. "O mercado ainda está receoso em montar grandes apostas nessa ideia de juros menores", diz Velho, lembrando que apesar de toda a devolução de prêmio recente, a Focus segue apontando Selic a 11,75% no final do ano.

"Mantenho a hipótese de duas altas de 0,75 ponto. E não acredito que o BC apresente uma ata com alusão a alta mais moderada. Ele deve não deve correr esse risco", diz Velho.

Sobre a cena externa, diz Velho, o BC deve aponta que se a piora continuar podemos ver efeitos futuros nos preços.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 732.500 Letras Financeiras do Tesouro (LFT) a R$ 3,10 bilhões. Também foram colocadas 3,05 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a R$ 2,46 bilhões e outras 300 mil Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 293 milhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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