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01/06/2010 - 12h00

DIs seguem mais ligados ao cenário externo

SÃO PAULO - Mais um dia de baixa para os contratos de juros futuros de longo prazo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, o maior fator de preocupação para a autoridade monetária continua sendo o cenário externo e é isso que a curva futura vem refletindo. Conforme crescem as incertezas que rondam a Europa, cai a percepção de ajuste mais marcado na taxa de juro do Brasil.

Por volta das 12 horas, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010 subia 0,02 ponto, a 9,89%. Agosto de 2010 avançava 0,01 ponto, a 10,12%. E janeiro de 2011, referência de mercado, marcava estabilidade, a 10,96%, depois de cair a 10,93%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 caía 0,04 ponto, a 11,94%. Janeiro 2013 recuava 0,06 ponto, projetando 12,17%. E janeiro 2014 diminuía 0,07 ponto, apontando também 12,17%.

Na visão de Rostagno, as preocupações aumentam conforme o mercado passa a enxergar a possibilidade da crise fiscal se tornar uma crise de crédito, dado que os bancos podem ter perdas consideráveis em função de sua exposição aos papéis soberanos.

Ontem mesmo, o Banco Central Europeu (BCE) apontou que os bancos da região podem ter perdas com crédito da ordem de 195 bilhões nos próximos 18 meses.

Dentro desse cenário de incerteza, Rostagno aponta que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter o ritmo de alta de 0,75 ponto percentual na Selic, já que a crise preocupa, mas por ora ainda não teve impacto relevante na economia local, mas deve ressaltar de forma mais enfática o risco externo.

Na agenda doméstica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou uma retração de 0,7% na produção industrial de abril. Essa foi a primeira queda do ano, mas ficou abaixo das expectativas, que sugeriam retração superior a 1%. Em 12 meses, no entanto, o ritmo de crescimento é chinês, alta de 17,4%.

Na visão do estrategista, essa diminuição mensal foi bem antecipada pelo mercado em função da retirada dos estímulos fiscais. "Depois do forte crescimento do primeiro trimestre era esperada essa acomodação." Ainda de acordo com Rostagno, essa retração menor do que a esperada e o contínuo crescimento do grupo bens de capital seria motivo até para uma alta nos contratos futuros, mas a cena externa se sobrepõe a isso.

Segundo o IBGE, o grupo bens de capital subiu 2,4% no mês. De acordo com o estrategista, essa manutenção dos investimentos sugere confiança do empresariado na economia. "Portanto, a expectativa é de que, mesmo com a retirada dos incentivos fiscais, a produção deverá continuar se expandindo nos próximos trimestres, oferecendo suporte para o crescimento econômico do país." Voltando ao mercado externo, o Banco do Canadá elevou sua taxa de juros overnight em 0,25 ponto percentual, para 0,5% ao ano. Tal movimento foi amplamente antecipado depois que a economia canadense cresceu 6,1% no primeiro trimestre. Pelo comunicado do BC do Canadá, os desdobramentos da crise europeia estão limitados a uma modesta queda no preço das commodities e a algum estreitamento nas condições de financiamento. "Dado a grande incerteza de cenário, qualquer nova redução do estímulo monetária terá que pesar cuidadosamente os desenvolvimentos domésticos e globais", concluiu a autoridade.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Letras Financeiras do Tesouro (LFT), Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Eduardo Campos | Valor)

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