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01/06/2010 - 18h08

Ibovespa inaugura junho em baixa, com cautela reforçada no fim do dia

SÃO PAULO - Um desaquecimento da economia chinesa no mês de maio estimulou as vendas dos investidores no mercado acionário no primeiro pregão de junho. Com reflexo sobre os preços das commodities e das blue chips, a queda da atividade industrial do país asiático deixou as bolsas no vermelho, mas as perdas foram impulsionadas ao fim do dia, com a possibilidade de a petrolífera BP ser investigada criminalmente pelo governo americano e com atritos militares entre Israel e Líbano.

Em baixa ao longo de todo pregão, o Ibovespa fechou em queda de 1,91%, aos 61.840 pontos, com giro financeiro de R$ 6,169 bilhões. Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 1,11%, aos 10.024,02 pontos, o Nasdaq se depreciou em 1,54%, para 2.222,33 pontos, e o S & P 500 caiu 1,72%, aos 1.070,71 pontos.

O mercado foi pressionado desde sua abertura, quando foi divulgado o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) para o setor manufatureiro chinês, que ficou em 53,9 em maio, 1,8 ponto inferior à marca de um mês antes.

Na Europa, além de um PMI mais fraco na zona do euro, o tom de cautela ganhou força com o alerta dado pelo Banco Central Europeu (BCE) de que os bancos da região podem enfrentar 195 bilhões de euros em perdas com crédito nos próximos 18 meses.

De outro lado, a economia americana continua a dar uma mensagem de recuperação, desta vez com dados melhores da atividade manufatureira e do setor de construção.

Os números chegaram a animar os agentes e a reduzir significativamente as perdas na Bovespa, mas a pressão exercida pelas blue chips ofuscou os indicadores.

E, para o cenário ficar completo, o tom de preocupação aumentou no fim do dia, com um ataque feito pelo Líbano, por meio de sua artilharia antiaérea, contra aviões israelenses que sobrevoaram o país nesta terça-feira, de acordo com uma alta autoridade da área de segurança israelense.

Além disso, a cautela ainda cresceu com a declaração dada pelo secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, de que as autoridades federais decidiram abrir uma investigação penal e civil sobre a explosão da plataforma Deepwater Horizon da BP, no golfo do México, que originou o pior derrame de petróleo da história do país. As ações da BP recuaram 13% na bolsa de Londres.

"O desaquecimento da economia chinesa afetou os preços das commodities e, embora tenham saído dados melhores da economia americana, eles não conseguiram sustentar uma alta das bolsas, eles foram ofuscados", comentou o assessor de investimentos da Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro.

Segundo o gestor de renda variável da Máxima Asset, Felipe Casotti, o aprofundamento da queda das bolsas no encerramento do pregão apenas mostra que os mercados continuam com volatilidade alta.

"Além disso, hoje houve certo ajuste, uma correção em relação a ontem, quando o Ibovespa subiu com um volume baixo, sem consistência", apontou.

No mercado corporativo, entre as blue chips, os papéis da Petrobras caíram 3,20%, a R$ 28,65, com giro de R$ 756,9 milhões, enquanto as ações PNA da Vale recuaram 2,05%, a R$ 42, com volume de R$ 659,8 milhões.

Os papéis ON da Brasil Ecodiesel lideraram a alta do Ibovespa, ao subirem 3,61%, a R$ 0,86. A empresa vendeu 34 milhões de litros de biodiesel no 18º leilão organizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Ainda entre as altas mais expressivas, as ações ON da Tim Participações avançaram 2,71%, para R$ 7,2, e os papéis ON da Cielo subiram 2,33%, a R$ 15,76.

Além disso, os papéis PN da Vivo tiveram ganhos de 2,3%, a R$ 51,12 e, fora do Ibovespa, as ações ON da Vivo dispararam 16,43%, para R$ 85.

A Telefónica elevou hoje a oferta à sócia Portugal Telecom pela Vivo em 14%, de 5,7 bilhões de euros para 6,5 bilhões de euros. Juntos, os grupos espanhol e português controlam a operadora brasileira desde 2003.

No vermelho, a maior queda do Ibovespa partiu dos papéis ON da Fibria, que recuaran 4,47%, para R$ 28,18. No mesmo setor, mas fora do índice, as ações PNA da Suzano caíram 1,87%, a R$ 15,7.

De acordo com dados da consultoria finlandesa Foex, o preço da celulose perdeu fôlego no mercado internacional. Na Europa, a celulose de fibra curta subiu US$ 1,49 na semana passada, alcançando US$ 886,98, enquanto a tonelada do produto de fibra longa avançou US$ 0,89, para US$ 957,32.

Ainda entre as principais baixas do dia, destaque para os papéis PN da Cemig, que recuaram 4,46%, para R$ 24,83, e para as ações PN da Gerdau Metalúrgica, com desvalorização de 4,19%, a R$ 30,4.

(Beatriz Cutait | Valor)

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