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10/06/2010 - 14h50

BC encomenda à FGV sondagem sobre setor de serviços

BRASÍLIA - O Brasil mostrou recuperação mais rápida que os demais países na crise mundial de 2008/2009, entre outros fatores, pela resposta positiva do setor de serviços, que impediu o encolhimento da demanda. Se tivesse uma percepção desse movimento durante a crise, talvez o Banco Central (BC) teria dado rumo diferente à política monetária (então criticada pela demora e pela timidez no corte dos juros).

Para suprir a falta de informações antecedentes sobre o cenário atual e perspectivas de médio prazo do setor de serviços, segmento que responde por dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), o BC encomendou à Fundação Getúlio Vargas (FGV) a criação da Sondagem do Setor de Serviços, que terá seus primeiros indicadores divulgados na próxima quarta-feira (16).

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, confirmou que será mais um indicador a compor a base de dados usada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na fixação do juro básico Selic.

O novo indicador será mensal, baseado em levantamento nacional com respostas via internet e por telefone, de dirigentes de 2.041 empresas, que empregam cerca de 737,6 mil pessoas. O setor de serviços tem aproximadamente 700 mil empresas. O objetivo é apurar o índice de confiança do setor.

De acordo com Silvio Sales, consultor da FGV e um dos criadores da Sondagem Industrial do IBGE, o comércio ficará de fora da pesquisa, por já contar com diversos levantamentos setoriais. Mas ganhará em breve sua própria sondagem, assim como a construção civil, o setor financeiro e o consumidor.

Assim, excluindo comércio, educação, saúde, administração pública e intermediação financeira, a Sondagem do Setor de Serviços abrangerá sete segmentos, que respondem por 33% do PIB global do país.

Foram divididos nos seguintes grupos: serviços prestados às empresas (jurídico, limpeza, publicidade, etc); de informação (telecomunicações, audiovisuais); de transportes e correios; serviços prestados às famílias (alimentação, alojamento, etc); outras atividades de serviços (representação comercial, seguros, previdência complementar); atividades imobiliárias e aluguel de bens móveis e imóveis e serviços de manutenção e reparação.

Sales explicou que as atividades mapeadas foram pinçadas da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do IBGE. O Índice de Confiança do Setor de Serviços será uma média simples do que for apurado no índice da situação atual com o índice de expectativas para os próximos três meses.

As informações qualitativas são apuradas com dirigentes das empresas. Serão colhidas ao longo do mês e divulgadas após os primeiros cinco dias úteis do mês seguinte.

A primeira divulgação será em Brasília, na sede do BC. Mas, a seguir, o indicador será anunciado dentro da política dos demais indicadores da FGV, no Rio de Janeiro e pela internet. O BC promete incorporá-lo a seu banco de dados também.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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