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10/06/2010 - 16h52

Brasil não será prejudicado por divergir dos EUA, diz ex-embaixador

SÃO PAULO - A decisão do Brasil de votar contra novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não deverá trazer prejuízos para o país, avalia o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa. Durante o 3º Fórum Brasil-EUA, que aconteceu hoje, em São Paulo, Barbosa afirmou que é natural que hajam divergências entre Brasil e Estados Unidos conforme o país ganhe importância no cenário internacional. "Mas não acho que essas divergências provocarão respostas duras. Pelo menos até o final desse governo, nada deve acontecer", afirmou. O Brasil, segundo Barbosa, não está acostumado a enfrentar controvérsias, situações que, em sua opinião, são normais. "Todos os países desenvolvidos com alguma representatividade internacional têm posições nem sempre concordantes com as dos Estados Unidos ou da China. Isso é natural, e a opinião pública no Brasil precisa se acostumar", enfatizou. Essa visão, porém, não é consenso entre os especialistas. Para Amaury de Souza, sócio da consultoria MCM, ao divergir dos Estados Unidos no caso do Irã, o Brasil ficou mais longe de conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Souza também acredita que haverá um aumento nas tensões comerciais internacionais devido às pressões por aumento nas exportações dos países desenvolvidos, já que a demanda doméstica nesses países está fraca. "A questão é descobrir como acomodar os interesses de todos os países", explicou. Comentando as discordâncias entre Brasil e Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), o coordenador de Política Comercial da Access Group, Miller & Chevalier, Jon Huenemann, foi incisivo ao afirmar que "o Brasil não conseguirá tudo que quer".

O país negocia com o governo americano um acordo para evitar que sejam aplicadas as retaliações comerciais aos Estados Unidos. A OMC autorizou o Brasil a punir comercialmente os Estados Unidos devido à concessão, por parte do governo americano, de subsídios aos produtores de algodão. "Os Estados Unidos se propuseram a negociar. Agora, as duas partes precisam abrir mão de certos pontos para se chegar a um meio-termo", disse Huenemann. Para Barbosa, a situação entre os dois países ficará complicada caso não se chegue a um acordo. Mas, em sua visão, ainda é cedo para se tirar conclusões. O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, mostrou-se otimista quanto ao acordo. Segundo ele, é normal que as negociações se estenderem até o limite de seu prazo. O governo americano tem até 22 de junho para apresentar propostas.

(Francine De Lorenzo | Valor)

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