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10/06/2010 - 16h17

DIs colocam no preço novas altas de 0,75 ponto na Selic

SÃO PAULO - Não foi a decisão, mas sim o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que promoveu boa parte da movimentação no mercado de juros futuros nesta quinta-feira. A outra influência foi a melhora de humor externo, que levou à forte valorização nas bolsas e commodities.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento o julho de 2010 subia 0,06 ponto a 10,13%. Agosto de 2010 ganhava 0,02 ponto, a 10,27%. E janeiro de 2011 apontava alta de 0,06 ponto, a 11,09%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012, o mais líquido do dia, marcava alta de 0,09 ponto, a 12,01%. Janeiro de 2013 ganhou 0,12 ponto, a 12,20%. E janeiro 2014 subia 0,10 ponto, a 12,21%.

Até as 16h15, foram negociados 1.138.655 contratos, equivalentes a R$ 103,31 bilhões (US$ 56,07 bilhões). O volume é relevante, mas baixo se comparado a outros dias pós-decisão do Copom. Em abril, por exemplo, o mercado movimentou 4,6 milhões de contratos. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 258.370 contratos, equivalentes a R$ 21,64 bilhões (US$ 11,74 bilhões).

Em linha com as expectativas, o BC subiu a Selic de 9,50% para 10,25% e repetiu o comunicado da decisão de abril, transmitido a ideia de continuidade no ajuste das condições monetárias.

Segundo o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, ao usar exatamente o mesmo comunicado da reunião de abril, o colegiado do Banco Central passa a ideia de que continua focado na cena doméstica e, por isso, o ritmo de aperto de 0,75 ponto deve ser mantido na próxima reunião, agenda para julho.

O que também se extrai de tal atitude do BC, segundo o estrategista, é que a piora de quadro externo não foi suficiente para mudar o plano de ação.

"Enquanto a crise fica circunscrita a uma redução de exportações para a zona do euro, ela apenas auxilia o BC a trazer a inflação de volta para a meta. Só se a crise se agravar a ponto de restringir a liquidez é que o Copom poderia rever o ciclo de alta", explica.

Os especialistas da consultoria LCA trabalham com cenário parecido. E como atribuem uma probabilidade "reduzida" de 20% para um quadro externo adverso a ponto de levar o BC a mudar de postura, acreditam em mais duas altas de 0,75 ponto percentual na Selic, que iria a 11,75% ao ano.

"Ação que parece suficiente para trazer a inflação de volta ao centro da meta no horizonte de atuação da política monetária", disse a consultoria em relatório.

Comentando a decisão de ontem, a LCA aponta que, ao manter o passo e lançar mão da mesma retórica, o BC evitou somar mais um elemento de incerteza no mercado.

Na visão da consultoria, uma eventual intensificação no ritmo de aperto poderia ser interpretada como um sinal de que a BC estaria subestimando os potenciais impactos da crise europeia, correndo o risco de exagerar na dose do remédio amargo.

Por outro lado, conclui a LCA, uma decisão no sentido contrário, ou seja, de reduzir o ritmo, poderia passar a ideia de que o Banco Central estaria inseguro quanto aos potenciais impactos da crise, optando por correr riscos na seara inflacionária.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 4 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a R$ 3,24 bilhões. Também foram colocadas 450 mil Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), a R$ 419 milhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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