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10/06/2010 - 19h28

Marina quer ser primeira presidente negra do país

SÃO PAULO - A senadora Marina Silva (PV-SC) se tornou a primeira candidata oficial à Presidência da República nas eleições de outubro. Seu nome foi homologado hoje durante a convenção nacional do PV, em Brasília. Última a falar, a senadora iniciou o discurso com elogios aos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, os dois foram responsáveis pela estabilidade econômica e a retirada de 25 milhões de pessoas da linha de pobreza.

"Não preciso, porque sou candidata por outro partido, negar esse feito e a grande conquista do operário Luiz Inácio Lula da Silva, que quebrou o paradigma. Antes se dizia que era preciso crescer para distribuir o bolo. O Lula mostrou que foi distribuindo que continuamos e crescemos", reconheceu.

Apesar dos afagos, Marina destacou a falta de atenção dos últimos governos com relação ao meio ambiente, pasta que ocupou na Esplanada dos Ministérios até maio de 2008, quando ainda era filiada ao PT. Ao fazer as críticas, ela associou o aumento do desmatamento às tragédias recentes que atingiram Santa Catarina, em 2007, e o Rio de Janeiro, em 2009, e no começo de 2010. "Em 2007, foram 2,5 milhões de pessoas afetadas pela chuva. Em 2009, foram 5,5 milhões de pessoas. Dá para tratar isso de problema natural? Não, é falta de planejamento", argumentou a candidata, que voltou a defender o conceito de economia de baixo carbono para reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. Marina também minimizou o fato de não ter alianças com outros partidos para a sucessão do presidente Lula e disse estar confiante na possibilidade de ser a primeira mulher negra a governar o país. "Queremos fazer alianças com os núcleos vivos da sociedade. Nós decidimos fazer aliança com os jovens, idosos, com os índios, com os negros, e com todos os brasileiros e brasileiras que estão aqui", ressaltou.

Mais cedo, o candidato a vice-presidente do PV, Guilherme Leal, criticou o loteamento de cargos públicos e a corrupção na política nacional. "Por que o Brasil precisa de Marina? Porque a lógica da política que prevalece no país está ancorada em lotear, distribuir espaços de poder ente forças econômicas e políticas, porque a força econômica governa a política e a atual forma de fazer política afastou a política e o cidadão".

Antes, Leal já havia destacado que a preservação do meio ambiente foi fundamental para aproximá-lo da senadora. Apesar disso, lembrou que a união seria improvável se fosse levando em conta "a lógica do século 21. "Marina é uma cabocla do Brasil profundo, da floresta, filha da pobreza, de um povo que durante centenas de anos foi condenado ao esquecimento pela falta de oportunidades", disse o empresário, sócio da Natura.

"Eu sou um homem da classe média urbana, criado em São Paulo, estudei em boas escolas, tive boas oportunidades. Com espírito empreendedor e baseado em valores me tornei empresário bem-sucedido", acrescentou.

(Fernando Taquari | Valor)

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