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11/06/2010 - 18h07

Alta de custos da indústria pode afetar inflação, alerta FGV

RIO - A prévia de junho do índice de inflação utilizado para reajustar os aluguéis mostra uma aceleração que não deve se repetir no restante do mês. O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) subiu 2,21% nos primeiros dez dias do período de apuração.

Mas, segundo o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a pressão é resultado de reajustes anuais do minério de ferro, principalmente, e de salários na construção civil.

O economista acredita que as atenções não estão voltadas para o que realmente deveria preocupar em relação à inflação. O alerta deve ser dado para o aumento de custos para a indústria, que ainda não repassou preços ao consumidor final.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) - antigo Índice de Preços no Atacado - registrou avanço de 3,14% no primeiro decêndio de junho. No mesmo período do mês de maio, a taxa foi de 0,49%. Isso se deve à alta de insumos como o minério de ferro, que passou de queda de 2,67%, no mês passado, para alta de 75,25% O farelo de soja também passou do campo negativo (-2,67%) para o positivo (12,89%). E o óleo combustível, que tinha ficado estável no mês anterior, subiu 4,86% neste decêndio. Com essas altas, as matérias-primas brutas tiveram avanço de preços médio de 11,26% na medição no início do mês.

No entanto, o que preocupou o economista da FGV foram os bens intermediários, já que a alta de insumos básicos foi considerada pontual. O avanço dos intermediários foi de 1,37%, ante elevação de 0,8% em maio, o que indicaria risco à inflação. O cenário global atual foi considerado confortável para a inflação, porque a oscilação de boas notícias com o pessimismo internacional acaba moderando o avanço de preços de insumos como petróleo e metais.

"Por isso, a inflação anda em ritmo mais confortável, mas pressões de custo estão se acumulando pouco a pouco, e à medida que a demanda ande mais rápido do que a capacidade de resposta da indústria, você vai potencializar repasses de preços em ritmos maiores do que o grau de difusão atual. Não quer dizer que a inflação vai explodir. Mas é um risco", disse Quadros.

Por enquanto, entretanto, o risco ainda é minimizado pela capacidade de produção da indústria. O economista lembrou que a capacidade instalada, em torno de 85%, ainda não voltou aos níveis elevados de antes da crise, em 2008, quando atingiram 86,5%. Por isso, os efeitos inflacionários, por enquanto, "passam a quilômetros do consumidor".

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou, no primeiro decêndio de junho, queda de 0,26%. No mesmo período do mês anterior, a taxa ficou positiva em 0,41%. "Está havendo um movimento geral de redução de preços ao consumidor, com destaque dos alimentos. E isso é uma alteração que as pessoas percebem. Mas os alimentos, principalmente aqueles in natura, se reajustam rapidamente, e o segundo semestre é período de entressafra bovina e de grãos", disse Quadros.

(Juliana Ennes | Valor)

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