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11/06/2010 - 16h53

Consumidor é o grande vencedor do leilão, diz Hubner

SÃO PAULO - O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, destacou o deságio registrado hoje no leilão de linhas de transmissão, de 31,5% em média. ?O grande vencedor é o consumidor, que pagará tarifas mais baixas, disse após o fim do certame na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). ?A regulação é igual para todos. Então, ganha quem for mais competitivo?, observou Hubner, referindo-se à disputa entre a iniciativa pública e privada.

No total, foram leiloados nove lotes, que foram arrematados por três estatais, uma holding privada de investimento em energia e uma companhia espanhola, além de um consórcio com uma empresa portuguesa entre seus três sócios.

O desconto sobre o teto da receita anual definido pela Aneel no leilão de hoje superou o deságio médio de 25,43% das 21 últimas licitações para empreendimentos de transmissão, realizadas de 1999 a 2009.

No certame desta sexta-feira, a companhia paranaense Copel levou dois lotes de projetos em São Paulo, o que marca sua entrada no Estado. No primeiro, a empresa ofereceu um deságio de 35,91% para arrematar a linha de transmissão de 356 quilômetros de Araraquara a Taubaté (lote A), principal projeto do certame, que será responsável pelo escoamento da energia gerada pelas usinas do Rio Madeira, em Rondônia.

Com um deságio de 38,14%, a Copel também venceu o lote I, o último do dia, que envolve uma subestação na cidade de Cerquilho, no interior de São Paulo. O movimento faz parte de uma estratégia de expansão mais agressiva da distribuidora paranaense para fora de seus domínios.

Em entrevista coletiva à imprensa, Edson Sardeto, diretor de engenharia da Copel, disse que o foco está nas regiões Sul e Sudeste. " A entrada em São Paulo foi estratégica para nós " , disse o executivo ao comentar a agressividade dos lances pelos dois lotes.

Ainda no campo das empresas do setor público, as companhias ligadas à Eletrobras ficaram com quatro lotes. Só a Chesf garantiu dois deles, incluindo a cartada mais agressiva de todo o evento, onde a companhia ofereceu um deságio de 51% para ficar com uma subestação em Camaçari, na Bahia (lote H).

Além desse projeto, a Chesf levou o lote G, envolvendo uma subestação na região de Arapiraca, em Alagoas. A gaúcha RS Energia, controlada pela Eletrosul (também da Eletrobras), arrematou outros dois lotes (B e C), ambos no Rio Grande do Sul: um envolvendo quatro subestações e o outro, a linha de transmissão Monte Claro-Garibaldi, de 33 quilômetros.

No setor privado, a Alupar Investimento ficou com uma subestação em Várzea Grande, no Mato Grosso, na disputa mais acirrada do dia (lote F). A empresa teve que fazer seis lances para garantir o projeto por um deságio de 13,22%.

Já com um deságio bem maior, de 33,94%, a espanhola Elecnor arrematou uma linha de transmissão de 240 quilômetros e uma subestação no Maranhão (lote E). Segundo o diretor do grupo espanhol, Francisco Padilla, a empresa continua interessada em aumentar os negócios no Brasil, apesar da recente venda de ativos no país à estatal chinesa State Grid. " Seguimos participando de novos projetos (no Brasil) " , afirmou, acrescentando que o grupo tem interesse em participar de leilões de energia eólica, assim como da licitação de linhas de transmissão da usina hidrelétrica de Belo Monte, a ser erguida no rio Xingu (PA).

A licitação ainda teve o consórcio Atlântico - formado pela ARM Telecomunicações, a ARM Energia e a construtora portuguesa CME - como vencedor do lote D, que inclui duas subestações e uma linha de transmissão de 79 quilômetros na região sudeste do Pará.

(Eduardo Laguna | Valor)

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