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11/06/2010 - 18h29

Levy alerta para risco de reversão de investimentos no Brasil com crise europeia

SÃO PAULO - O Brasil não está livre de sofrer com a crise na Europa. Para o diretor de Gestão e Estratégia da Bradesco Asset Management, Joaquim Levy, embora a situação do país seja confortável, é necessário ficar atento. "Se houver por parte dos estrangeiros necessidade de levar capital de volta, teremos de estar preparados", alerta o executivo.

Por enquanto, segundo Levy, não houve movimentos nesse sentido. Porém, o risco não está descartado. "Por isso é importante aumentar a poupança doméstica. Temos muitos investimentos produtivos, mas precisaremos de poupança interna para mantê-los caso haja uma reversão no fluxo de capitais estrangeiros", ressalta. A situação da Europa, na avaliação de Levy, é bastante delicada. Não somente pelas contas negativas dos governos, mas também pela baixa solidez do sistema financeiro. "Precisamos avaliar quem está tomando o risco e quem está no final da linha", diz.

Até o momento, a crise está concentrada na Europa. Se continuar assim, afirma Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, a economia global não deverá sofrer mais impactos. O diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Geraldo Langoni, relativiza a força da crise na Europa, que foi derivada da crise gerada pelas hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos. "A falência do Lehman Brothers teve um impacto mais forte sobre a economia mundial do que teria a quebra da Grécia", avalia.

O bom desempenho da economia brasileira nesse período de turbulência, diz o diretor da FGV, não livra o país da necessidade de mudanças. Langoni reforça o coro dos economistas que defendem reformas e um maior equilíbrio nas contas públicas. "Temos uma oportunidade única de fazermos ajustes fiscais. Não vamos aprender com a crise na Europa?" (Francine De Lorenzo | Valor)

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