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15/06/2010 - 16h14

DIs têm forte alta com melhora externa e preocupação fiscal

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de prazo mais dilatado tiveram forte acúmulo de prêmios de risco nesta terça-feira. Além da melhora de humor externo, que redirecionada cada vez mais o foco dos agentes para a economia doméstica, os investidores também assimilaram notícias de impacto fiscal.

Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, os contratos longos reagiram de forma negativa à decisão do governo de conceder aumento aos aposentados.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo. O reajuste gera uma despesa anual de R$ 1,6 bilhão.

Para compensar, serão efetuados cortes no custeio e nas emendas parlamentares. "Vai doer porque já cortamos R$ 10 bilhões do Orçamento, mas se o Congresso deu esse aumento ele também tem de se responsabilizar por ele, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com Nepomuceno, sem ajuda do lado fiscal para conter a demanda, todo o trabalho de ajuste sobra para a política monetária. "Com isso, o mercado coloca na conta uma política contracionista por parte do Banco Central por mais tempo." Fora isso, diz o estrategista, foi perceptível uma diminuição de posição por parte dos investidores estrangeiros, principais aplicadores nos vértices longos.

Segundo Nepomuceno, essa saída do estrangeiro não ocorre por conta de aversão a risco, mas pelo baixo prêmio embutido na curva, o que reduz, principalmente, a atratividade das operações feitas via derivativos de taxa de juros.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento o julho de 2010 marcava estabilidade a 10,13%. Agosto de 2010 cedeu 0,01 ponto, a 10,27%. Mas janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,08 ponto, a 11,24%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 marcava alta de 0,11 ponto, a 12,28%. Janeiro de 2013 avançava 0,10 ponto, a 12,48%. E janeiro 2014 também subia 0,10 ponto, a 12,48%.

Até as 16h15, foram negociados 795.325 contratos, equivalentes a R$ 70,79 bilhões (US$ 39,26 bilhões), 25% a mais do que o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 304.025 contratos, equivalentes a R$ 28,66 bilhões (US$ 15,89 bilhões).

Na quarta-feira, atenção às vendas varejista no mês de abril. É esperada uma retração de cerca de 2% no comparativo mensal. Pelo lado da inflação, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresenta o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) e a variação semanal do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S). (Eduardo Campos | Valor)

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