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15/06/2010 - 07h55

Grécia tira força da Bovespa, mas dólar cai a R$ 1,808

SÃO PAULO - O movimento de recuperação dos mercados, que vinha firme desde o final da semana passada, esbarrou na Grécia depois que a agência de classificação de risco Moody´s cortou a nota do país em quatro degraus, de A3 para Ba1, grau especulativo. Não seja uma grande novidade, afinal outras agências já tinham feito tal movimento, mas a notícia não deixou de somar instabilidade aos negócios, seja por preocupação ou por servir de desculpa para colocar no bolso ganhos recentes.

Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) devolveu um ganho de mais de 1%, para fechar a jornada com leve baixa de 0,11%, aos 63.532 pontos. O giro financeiro foi fraco, ao atingir apenas R$ 4,28 bilhões.

Em Wall Street, o índice Dow Jones cedeu 0,20%, enquanto o S & P 500 recuou 0,18%. Já o Nasdaq encerrou o dia praticamente estável, ao subir apenas 0,02%.

"O rebaixamento da Moody´s fez o mercado americano perder um pouco do ímpeto e nós acompanhamos. A notícia não é uma novidade, mas, por ser algo da região europeia, tem peso sobre o mercado. A situação da Europa é ainda preocupante, mas a ausência de notícias negativas deu algum sossego para o mercado nos últimos dias", comentou o economista-chefe da LLA Investimentos, Sérgio Manoel Correia.

Sobre o fraco volume negociado no mercado brasileiro, o economista assinala que o movimento está ligado principalmente às incertezas do ambiente internacional e à menor disposição do investidor a assumir riscos, mas que a Copa do Mundo é "mais um tempero" para este quadro.

Olhando agora para o câmbio, os vendedores voltaram a ditar o rumo dos negócios, mas o piso de R$ 1,80 foi testado e respeitado. Segundo o trader de câmbio da Brascan Gestão de Ativos, Marco Antonio Azevedo, existe um suporte forte em torno da linha de R$ 1,80. Seja porque quem tem posição de curto prazo e zera apostas nessa linha de preço, seja porque o cenário ainda não permite grandes posições direcionais.

Depois de fazer mínima a R$ 1,796 pela manhã e ontem, o dólar comercial encerrou a jornada valendo R$ 1,808 na venda, ainda assim, queda de 0,44%. Tal preço é o menor em um mês. O giro no interbancário caiu de US$ 3 bilhões na sexta-feira, para US$ 1,3 bilhão hoje.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar cedeu 0,51%, a R$ 1,8067. O volume ficou em US$ 252,25 milhões, 50% maior que o registrado no dia anterior.

Azevedo lembra ainda que a piora de humor externo também tirou força dos vendedores. Ainda de acordo com o especialista, os números das economias externas mostram alguma melhora em termos de retomada de crescimento. Mas, em compensação, as notícias envolvendo as dívidas soberanas da Europa deixam o mercado cauteloso.

No front local, diz Azevedo, o mercado opera na expectativa de como o Banco Central deve lidar com o esperado fluxo de dólares resultante da oferta de ações do Banco do Brasil e da Capitalização da Petrobras.

Os contratos de juros futuros ensaiaram alta, mas fecharam ao redor de estabilidade, pondo fim a um período de quatro pregões seguidos de firme valorização. Segundo um gestor de renda fixa que preferiu não se identificar, a curva futura passou por um movimento de recomposição de prêmios de risco na semana passada, refletindo a melhora de cenário externo e o aceno do Banco Central de seguirá com o aperto da taxa básica de juros "O mercado voltou a colocar na curva o prêmio referente ao cenário de quatro elevações de 0,75 ponto percentual na Selic" explicou, lembrando que duas já foram, e as outras altas seriam em julho e setembro.

O gestor lembrou que o mercado devolveu bastante prêmio no período de maior incerteza externa, mas que conforme a confiança foi restaurada ao longo da semana passada, os contratos voltaram a apontar para cima.

Concomitantemente a isso, o Banco Central indicou que não deve mudar de postura em função das incertezas externas. E isso fez o mercado repensar sua posição quanto ao movimento de aperto monetário.

Ainda de acordo com o gestor, atenção à ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que será apresentada na quinta-feira. Segundo o especialista, o mercado deve mostrar alguma reação caso o documento não confirme essa percepção de continuidade do ciclo de aperto monetário em passo de 0,75 ponto percentual.

Olhando agora para os indicadores de inflação, o gestor acredita que o mercado não está comprando a ideia de preços mais baixos. A visão que parece imperar é que essa melhora da inflação é algo pontual, que não deve ter muito impacto na dinâmica de preços no ano.

Pelo lado da atividade, diz o especialista, fica a dúvida sobre ritmo de crescimento, que parece ter diminuído em abril, mas já voltou a ganhar força no decorrer de maio.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento o julho de 2010 marcava estabilidade a 10,13%. Agosto de 2010 não foi. Mas janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,01 ponto, a 11,17%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 marcava alta de 0,01 ponto, a 12,16%. Janeiro de 2013 ficou estável a 12,34%. E janeiro 2014 subia 0,01 ponto, a 12,35%.

Até as 16h15, foram negociados 633.765 contratos, equivalentes a R$ 56,13 bilhões (US$ 30,97 bilhões). O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 231.225 contratos, equivalentes a R$ 21,79 bilhões (US$ 12,02 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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