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15/06/2010 - 13h48

Santander descarta calote ou expulsão da Grécia da União Europeia

BRASÍLIA - O grupo Santander trabalha com um cenário benigno para a crise europeia. Governos e bancos centrais dos países da zona do Euro deverão "fazer de tudo" para evitar calotes, e a expulsão da Grécia do bloco econômico está fora de questão, acredita Cristiano Souza, economista do banco espanhol.

Ele também descarta contágio da crise da Europa sobre o forte dinamismo da economia brasileira: "O que vem lá de fora não deve afetar o crescimento aqui", afirmou.

Segundo Souza, apesar da difícil perspectiva de ajuste da economia grega aos parâmetros acordados para 2014, como um severo ajuste fiscal, "a Grécia fora da União Europeia seria contratar uma corrida bancária".

Souza explica que, apesar do pacote de socorro aos gregos pelo Fundo Monetário Internacional e países do bloco, os mercados não se aquietaram e continuam voláteis, pelo temor principal sobre a capacidade dos gregos em cumprir um ajuste fiscal, que prevê a queda do déficit público de 13% para 2% do PIB nos próximos três anos. E do efeito dominó negativo de tais incertezas.

"Tá todo mundo carregando todo mundo", diz o economista sobre o entrelaçamento de títulos públicos de países com dívidas pesadas, como a Itália (US$ 1,4 trilhão), Espanha ( US$1,1 trilhão), Irlanda (US$ 87 bilhões) e Grécia (US$ 236 bilhões), nas reservas dos países e carteiras dos bancos europeus. Um cenário de calote "não é impossível, mas creio que as autoridades da zona do Euro farão de tudo para não deixar a situação piorar, porque afetaria os bancos e geraria uma segunda crise bancária", diz Sousa, em referência à crise mundial de 2008.

A exclusão da Grécia do bloco é outro descarte que ele faz, citando uma provável corrida a saques bancários em toda a Europa, como a consequência imediata, além de um custo enorme para se desfazer um projeto político iniciado em 1957 e colocado em prática em 2001.

"O cenário mais viável é ir empurrando com a barriga, como estão fazendo agora", disse o economista. Ele ressalta que com isso a aversão ao risco se espalha por todo o mundo, e a consequência negativa é um menor crescimento da atividade nos países europeus para 2010 e 2011.

Souza não vê contágio para a economia brasileira, que segundo ele tem como grande gargalo no momento a questão da infraestrutura. O Santander reviu de 6,3% para 7,8%, o crescimento do PIB este ano, após a divulgação de alta de 2,7% no primeiro trimestre sobre o quarto trimestre de 2009. A base é a forte demanda interna, que deve seguir garantindo alta real de 4,5% do PIB em 2011, na visão do economista.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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