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16/06/2010 - 11h47

DIs ajustam para baixo com vendas no varejo e deflação no IPC-S

SÃO PAULO - Depois da acentuada puxada de alta observada ontem, os contratos de juros futuros longos ajustam para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Na agenda do dia, aparecem as vendas no varejo, que caíram mais do que o previsto em abril, e indicadores de inflação com sinalização díspar.

Por volta das 11h40, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010 marcava estabilidade, a 10,13%. Agosto de 2010 não era negociado. Mas janeiro de 2011, referência de mercado, devolvia 0,01 ponto, a 11,22%.

Entre os longos, o ajuste era mais acentuado. O DI para janeiro de 2012 devolvia 0,05 ponto, a 12,24%. Janeiro 2013 recuava 0,06 ponto, projetando 12,43%. E janeiro 2014 diminuía 0,05 ponto, apontando 12,44%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no comércio varejista recuaram 3% em abril, em comparação com março.

Segundo o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, a queda ficou acima do previsto, mas esse era um movimento já esperado pelo mercado.

O que chama atenção também, completa o especialista, é que o dado de março foi revisado, de crescimento de 1,6% para 2,1%. Então, por efeito estatístico, o recuo em abril foi ainda maior do que o previsto.

Ainda assim, diz Perfeito, os volumes vendidos seguem elevados e o número não pode ser taxado como "negativo". No comparativo com abril de 2009, o indicador subiu 9,1%. No ano, a taxa foi positiva em 11,8%. Em 12 meses, houve acréscimo de 8,2%.

O economista explica que as medidas tomadas pelo governo para dar estabilidade à econômica após a crise de 2008 surtiram efeito muito forte no varejo. Em tese, diz Perfeito, tal acomodação das vendas somada à melhora significativa na trajetória de preços no varejo poderia levar o Banco Central a considerar um ciclo de aperto monetário menor.

Mas, por ora, isso não muda a expectativa para o encontro de julho do Comitê de Política Monetária (Copom). A Gradual segue projetando nova elevação de 0,75 ponto percentual na Selic, e espera uma redução do ritmo para 0,5 ponto no encontro de setembro.

Na visão do economista, o que o Banco Central (BC) faz é tirar a Selic do patamar de incentivo que foi adotado no período da crise. Agora, a economia já voltou a ganhar dinamismo e esse estímulo não se faz mais necessário.

Olhando a inflação, Perfeito chama atenção ao Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) que marcou deflação de 0,04% na segunda prévia de junho, a menor marca desde setembro de 2008 (-0,09%).

Outros IPCs, diz o especialista, também sugerem deflação e o IPCA-15 de junho, que sai na semana que vem, deve mostrar variação de 0,20%, recuando de 0,63% observado em maio.

De acordo com Perfeito, há, no entanto, um divórcio dos preços ao consumidor com os preços no atacado. Por influência do minério de ferro, os IGPs seguem ganhando força.

Hoje, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 1,30% em junho, acelerando de 1,11% em maio. Na sexta-feira, será apresentada nova prévia para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). Na gestão do endividamento público, o Tesouro Nacional realiza leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

(Eduardo Campos | Valor)

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