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16/06/2010 - 16h24

DIs longos desabam na BM & F; ajuste técnico e dados explicam queda

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de prazo mais dilatado não só devolveram todo o ganho acentuado de ontem, como também perderam mais prêmio de risco na jornada desta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Segundo o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, tal comportamento da curva tem caráter técnico. Tamanha oscilação de prêmio em tão pouco tempo não tem relação lógica com expectativas de política monetária, inflação ou crescimento.

Para Machado, depois da puxada de ontem, os prêmios voltaram a ficar atraentes e os agentes retornaram com força ao mercado. Esse comportamento também transmite a ideia de que "esse mercado tem dono", ou seja, tem investidores grandes medindo força.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento o julho de 2010 marcava estabilidade a 10,13%. Agosto de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 10,28%. Mas janeiro de 2011 apontava queda de 0,04 ponto, a 11,19%.

Entre os longos, o ajuste foi bastante acentuado, o contrato para janeiro de 2012, o mais líquido do dia, marcava baixa de 0,13 ponto, a 12,16%. Janeiro de 2013 recuava 0,17 ponto, a 12,32%. E janeiro 2014 devolvia 0,18 ponto, a 12,31%.

Até as 16h10, foram negociados 717.655 contratos, equivalentes a R$ 61,75 bilhões (US$ 34,31 bilhões), 11% a menos do que o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 281.465 contratos, equivalentes a R$ 23,54 bilhões (US$ 13,10 bilhões).

No lado dos fundamentos, as indicações foram favoráveis à perda de prêmio. Segundo o gestor da SLW Corretora, Gustavo Gazaneo, a queda nas vendas no varejo e os números da inflação também estimulam o movimento de baixa da curva.

No entanto, diz o especialista, esses números não têm força para mudar a perspectivas de que o Banco Central (BC) fará nova alta de 0,75 ponto percentual na Selic no seu encontro de julho. Segundo Gazaneo, essa discussão só deve ganhar força quando a reunião do colegiado estiver mais próxima.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no comércio varejista recuaram 3% em abril, maior queda mensal da série histórica iniciada no ano 2000.

A previsão era de queda, mas menos acentuada. Vale lembrar, também, que o IBGE revisou os dados de março, de crescimento de 1,6% para 2,1%. No comparativo com abril de 2009, a venda varejista subiu 9,1%. No ano, a taxa foi positiva em 11,8%. E em 12 meses, houve acréscimo de 8,2%.

Pelo lado da inflação, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 1,30% em junho, acelerando de 1,11% em maio, mas resultado dentro das estimativas.

Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) marcou deflação de 0,04% na segunda prévia de junho, a menor marca desde setembro de 2008 (- 0,09%). Como em outras medições, os alimentos foram destaque de baixa.

Na gestão do endividamento público, o Tesouro Nacional realizou leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

(Eduardo Campos | Valor)

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