UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

16/06/2010 - 16h04

Emprego na indústria paulista cresce, mas distante do nível pré-crise

SÃO PAULO - A indústria paulista já criou 139 mil postos de trabalho neste ano, mas o setor ainda precisará de aproximadamente mais dez meses para recuperar os patamares de emprego registrados antes do início da crise financeira em sua fase mais aguda.

Pelo menos essa é a conta feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que anunciou hoje o surgimento de 16,5 mil postos em maio.

"O resultado mostra uma continuidade da tendência de crescimento interrompida no mês passado. Mesmo assim, ainda não se recuperou tudo o que foi perdido com as dificuldades da crise", afirmou Walter Sacca, diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, durante entrevista coletiva à imprensa.

A previsão da entidade é de um crescimento de 5,6% no nível de emprego neste ano. A retomada do nível pré-crise, no entanto, só deve ocorrer no primeiro trimestre de 2011.

De acordo com a Fiesp, o setor ainda precisa preencher 130 mil vagas para alcançar a ocupação vista antes do colapso do Lehman Brothers em setembro de 2008, fato que desencadeou uma crise de confiança de repercussão global.

Até maio, o campo puxou as contratações da indústria, como resultado da antecipação da safra de cana-de-açúcar. Nos cinco primeiros meses do ano, o setor sucroalcooleiro respondeu por 35,7% do total de vagas criadas pela indústria paulista.

Essa situação ajuda a entender o crescimento mais forte do emprego em cidades do interior. Destaques na criação de vagas neste ano, a ocupação em Sertãozinho, Jaú e Araraquara marcou, respectivamente, alta de 21%, 19% e 18,2% até maio. De abril para maio, o emprego no interior paulista subiu 0,72%, acima da expansão de 0,56% na Grande São Paulo.

Para os próximos meses, no entanto, espera-se que as atividades rurais percam peso na criação de vagas, refletindo o fim do período de safra e o avanço da automação na colheita, afirmou Sacca. Um sinal dessa tendência já foi observado em maio, quando a participação dos produtores de açúcar e álcool sobre as vagas criadas foi de apenas 10,2%.

(Eduardo Laguna | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host