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16/06/2010 - 14h40

FGV vê desaceleração nos IGPs

RIO - A alta de 1,30% do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) em junho confirma a tendência de desaceleração dos índices gerais de preços (IGPs) medidos pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A afirmação é do coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da fundação (Ibre/FGV), Salomão Quadros, que minimizou o fato de o avanço ter sido o maior para o IGP-10 desde os 2% de julho de 2008.

De acordo com Quadros, embora o IGP-10 tenha acelerado em relação aos 1,11% de maio, o resultado de junho ficou abaixo dos 1,57% do IGP-DI, divulgado na semana passada. Para ele, a principal razão para a desaceleração em relação aos demais IGPs está na absorção de parte do impacto do minério de ferro, que, embora tenha dado a maior contribuição ao IGP-10 de junho, com 51,84% de alta, desacelerou na comparação com o avanço de 75% observado no IGP-DI.

"Há uma tendência de desaceleração nos IGPs, que podem voltar a ficar abaixo de 1%. O impacto do minério de ferro também entrou em fase decrescente", frisou Quadros.

Quadros destacou que, em junho, os alimentos contribuíram para contrabalançar os efeitos do minério de ferro dentro do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do IGP. Os bens finais recuaram 0,62% em junho, influenciados por produtos como o açúcar cristal, que registrou deflação de 20,15% este mês; aves abatidas frigorificadas, que recuaram 5,32%; e arroz beneficiado, que caiu 0,56%. No geral, a alimentação caiu 2,15% este mês, depois de avançar 0,39% em maio.

Mesmo dentro das matérias-primas brutas, que subiram 6,38% em junho, os alimentos contribuíram para segurar o índice. Enquanto o grupo das matérias-primas subiu puxado pelo avanço de 43,17% dos minerais, alguns alimentos importantes contribuíram para segurar o índice. A soja passou de 3,01% em maio para 1,89% em junho; os bovinos foram de +3,14% para -0,73% no mesmo período; e o leite in natura passou de 8,24% em maio para 3,52% em junho.

Outro destaque de junho ficou por conta do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que pesa apenas 10% no IGP-10, mas pulou de 0,77% no mês passado para 2,01% agora, impulsionado pelo dissídio salarial em São Paulo. Com isso, a mão de obra subiu 3,30%, contra 1,10% em maio, respondendo 1,58 ponto percentual dos 2,01% do INCC.

(Rafael Rosas | Valor)

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