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16/06/2010 - 17h04

Marina Silva diz que Lula não precisa de continuador, mas de sucessor

SÃO PAULO - A candidata Marina Silva (PV) deu o tom hoje de como deve se posicionar durante a campanha eleitoral ao insistir em se apresentar como a terceira via para a disputa à Presidência da República. Em evento em São Paulo, Marina reconheceu mais uma vez os avanços econômicos e sociais dos governos do PSDB e do PT nos últimos 16 anos.

Mesmo assim, procurou se diferenciar dos dois partidos. Disse que tucanos e petistas estão com um discurso defasado, pois renegam o desenvolvimento sustentável a um segundo plano. Neste cálculo, ela disse que o presidente não precisa de um continuador, como a candidata Dilma Rousseff (PT), que não promoveria as mudanças necessárias ao país. Um opositor, avaliou, também seria prejudicial, já que jogaria no "lixo" tudo o que foi conquistado.

"O presidente Lula aprendeu a dor e a delícia de ser o que é, com dificuldades que entendo que precisam ser superadas. E é por ele não ter sido capaz de enfrentar todas as dificuldades, que ele precisa de um sucessor não de um continuador ou opositor", declarou Marina. Segundo ela, a alternância de poder é fundamental e foi determinante para as conquistas sociais a partir de 2003, quando Lula sucedeu Fernando Henrique Cardoso na Presidência. "As pessoas que votaram no Lula vão continuar votando num Silva, mas agora vão votar em mim", brincou.

Por duas vezes, Marina evitou comentar quem apoiaria em um eventual segundo turno sem a sua presença e rejeitou a hipótese de que esteja mais condescendente e generosa com José Serra e o PSDB. "Me esforço para ser justa. Temos que reconhecer ganhos de cada um. Lula fez o país crescer e distribuir renda. FHC estabilizou a economia. Mas nenhum dos dois soube agregar a questão da sustentabilidade. Agora, estamos à frente", acrescentou a candidata, destacando de novo a questão ambiental como prioritária e diferencial em relação aos adversários. Sobre temas polêmicos, Marina adotou uma postura conservadora ao declarar ser contra o casamento entre homossexuais e a descriminalização do aborto e das drogas. Apesar disso, defendeu a realização de plebiscitos no caso das drogas e do aborto e não quis se posicionar sobre a adoção de crianças por casais gays. Questionada sobre a reforma tributária, a candidata afirmou que sua equipe ainda está elaborando um projeto, mas garantiu que não vai ocorrer aumento de impostos caso seja eleita em outubro.

(Fernando Taquari | Valor)

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