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16/06/2010 - 18h30

Mesmo com queda, alimentos e bebidas continuam guiando varejo

SÃO PAULO - Alimentos e bebidas continuam sendo o carro chefe das vendas no varejo brasileiro. Segundo a análise do sócio-sênior da consultoria GS & MD - Gouvêa de Souza, Luiz Goes, o fraco desempenho do segmento em abril evidenciado pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não pode ser classificado como uma redução da importância nos resultados gerais do varejo, nem considerada uma tendência para os próximos meses. "O segmento de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo continua sendo importante e ainda tem grande peso na expansão do setor varejista no Brasil", afirma Goes.

Segundo ele, a desaceleração do crescimento das vendas do segmento em abril, na comparação anual, deve ser explicada por questões de calendário. Como mostraram os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), o segmento registrou uma alta de 5,6%, frente ao mesmo mês do ano passado, sendo que em março e fevereiro, havia marcado avanço de 15,4% e 11,6%, respectivamente.

O especialista credita o resultado ao "efeito Páscoa". Neste ano, o feriado caiu no início de abril, o que estimulou as compras no fim de março, influenciando, portanto, os dados desse mês. No ano passado, por outro lado, a Páscoa foi comemorada na metade de abril, o que gerou resultados para o próprio mês. Esse efeito, entretanto, não consegue explicar os dois recuos consecutivos quando se comparam as vendas mês a mês. Em abril frente março, as vendas do segmento caiu 0,7%, sendo que em março frente a fevereiro, foi verificada queda de 1,1%.

"Mesmo assim, não se deve desenhar isso como tendência. Podemos entender esses resultados como acomodações de um setor que vinha crescendo nos últimos meses", explica Goes, lembrando, descartando inclusive, que os efeitos inflacionários já sejam representativos nestes resultados. Mesmo diante do enfraquecimento, em abril, o segmento foi responsável por 31,7% da taxa geral de expansão do varejo brasileiro no período.

Por outro lado, o IBGE mostrou que segmento de tecidos, vestuário e calçados, que vinha apresentando um fraco desempenho, principalmente no ano passado, agora mostra avanços.

Entre março e abril, as vendas no segmento cresceram 2,2% - a única alta verificada no período entre as dez atividades analisadas pela instituição, além de Outros artigos de uso pessoal e doméstico. A alta seguiu o crescimento de 1,7% verificado em março e de 3,4%, em fevereiro.

Mas, o que parece ser uma boa recuperação não é tão certo assim, segundo o especialista. Isso porque os índices de crescimento registrados vêm sobre uma baixa base de comparação, já que foi um setor que sofreu no ano passado, prejudicado pelo aumento das compras de produtos de bens duráveis. "Esses itens são os primeiros a serem cortados quando se tem que pagar uma prestação do carro, por exemplo", afirma Goes. Ele explica que o aumento na massa salarial estimula o consumo no segmento, mas que, mesmo assim, a recuperação será pequena e as vendas continuarão abaixo da média do varejo. "Não esperamos um forte avanço nesta área. As pessoas não vão começar a comprar categorias de roupas mais altas ou maior número de peças de repente, como aconteceu nos alimentos. Isso é um comportamento mais a longo prazo, depende de um processo de maturação (do consumo) mais complicado", resume. No acumulado dos últimos doze meses, o segmento registrou alta de 2,3%.

Hoje pela manhã, o IBGE divulgou, por meio de sua Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) que, no mês de abril, o comércio varejista nacional caiu 3%, frente a março, mas mostrou avanço de 9,1% ante o mesmo mês do ano passado. Para Goes, os dados refletem o momento de acomodação do setor como um todo que, fundamentalmente, teve início em abril, depois de consecutivas altas. "Mas o que importa é que estamos em uma acomodação em altos níveis. Devemos fechar o ano com o resultado em 30% a 40% acima do PIB, o que é uma média histórica", projetou o especialista. (Vanessa Dezem | Valor)

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