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25/06/2010 - 08h01 / Atualizada 25/06/2010 - 08h19

Bovespa perde os 64 mil pontos e dólar cai a R$ 1,789

SÃO PAULO - A quinta-feira foi um dia ruim para as bolsas de valores. Acompanhando o tom vendedor do mercado externo o Ibovespa fechou abaixo dos 54 mil pontos. Descolado desse aumento na aversão ao risco, o dólar comercial encerrou o pregão em baixa. E reagindo aos dados de desemprego, os juros futuros perderam prêmio de risco.

Em Wall Street, as vendas aumentaram no final do pregão, levando o Dow Jones a fechar com baixa de 1,41%, aos 10.152 pontos. O S & P 500 cedeu 1,68%, a 1.073 pontos e o Nasdaq recuou 1,63%, a 2.217.

Os analistas citaram as preocupações com o ritmo de recuperação da economia global foram como fonte de instabilidade. Fora isso, Grécia e outros países da Europa também surgiram no noticiário.

Nos Estados Unidos, os agentes acompanharam os trabalhos dos congressistas envolvendo as mudanças no sistema financeiro. A preocupação é de que as regras acabem mais rígidas dos que se esperava. Também em pauta, a briga judicial do governo Obama com as petrolíferas sobre a perfuração de poços de petróleo.

De volta ao mercado local, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa perdeu mais de 1.200 pontos, ou 1,88%, antes de fechar marcando 63.936 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,94 bilhões.

No câmbio, o real resistiu a essa forte degradação de humor externo que derrubou as bolsas e encerrou a quinta ganhando valor do dólar americano.

Pelas mesas circularam informações dando conta de entradas externas relevantes no mercado e de uma forte pressão de venda de uma ala do mercado que quer o dólar abaixo de R$ 1,80.

Depois de marcar R$ 1,802, no começo dos negócios, o dólar comercial terminou a jornada com baixa de 0,16%, a R$ 1,787 na compra e R$ 1,789 na venda. Na mínima a moeda saiu a R$ 1,780.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar cedeu 0,11%, a R$ 1,88. O volume marcou US$ 503 milhões, o triplo do registrado ontem.

Segundo o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, o que deu respaldo a essa percepção de entrada relevante para o mercado foi o elevado volume de negócios no interbancário. O giro estimado para o pregão de hoje passou de US$ 4,5 bilhões.

O principal nome que circulou pelas mesas foi Banco do Brasil, que além da oferta de ações estaria completando uma captação voltada a elevar sua base de capital.
Outras empresas que teriam trazido dinheiro em volume relevante seriam Usiminas e Samarco. No caso da Samarco, o volume seria de US$ 206 milhões.

Ainda de acordo com Rodrigues, já se percebe, também, uma briga entre comprados (pró-dólar) e vendidos (pró-real) para a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume). E, pelo visto, os vendidos estão ganhando a briga.

Vale lembrar que os maiores vendedores de dólar no momento atual são os bancos, com mais de US$ 8 bilhões no mercado à vista e outros US$ 3,2 bilhões no mercado futuro.

Rodrigues também não descarta que alguns agentes anteciparam os negócios em função do jogo da Seleção Brasileira que acontece hoje.

Em função da partida, o mercado de câmbio tem funcionamento diferenciado. O pregão abre às 9 horas e vai até 10h30. Passado o jogo, o registro das operações começa às 14h30 e vai até as 17 horas, com confirmação até as 17h30. Cabe lembrar que na Bovespa e na BM & F os negócios têm horário de funcionamento normal.

No mercado de juros futuros, a surpresa com a taxa de desemprego de maio promoveu um ajuste de baixa nos contratos. Mas conforme notou o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, o aumento do desemprego não é motivo suficiente para se esperar alguma mudança na postura do Banco Central quanto à condução do aperto monetário. Um novo aperto de 0,75 ponto percentual na Selic percentual ainda é dado como certo.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento o julho de 2010 marcava estabilidade a 10,12%. Agosto não era negociado. E janeiro de 2011 recuava 0,01 ponto, a 11,30%.
Ajuste mais acentuado entre os longos. O contrato para janeiro de 2012, o mais líquido do dia, marcava baixa de 0,08 ponto, a 12,09%. Janeiro de 2013 tinha queda de 0,08 ponto, a 12,20%. E janeiro 2014 apontava desvalorização de 0,11 ponto, a 12,17%.

Até as 16 horas, foram negociados 818.685 contratos, equivalentes a R$ 74,29 bilhões (US$ 41,48 bilhões). O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 219.435 contratos, equivalentes a R$ 18,43 bilhões (US$ 10,29 bilhões).

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a taxa de desemprego subiu de 7,3% em abril para 7,5% em maio, contrariando as expectativas de retração para próximo de 7%.

Decompondo o número, diz Serrano, o que se nota é que houve aumento nas contratações, em linha com a sinalização do Caged. Mas o fato é ocorreu um aumento ainda maior no número de desocupados. A dúvida que fica é a seguinte, aconteceram mais demissões ou mais pessoas saíram em busca de emprego?
Pela dinâmica atual da economia e pelos números do Caged, o mais provável que houve um aumento no número de pessoal em busca de emprego. Exatamente o contrário do que se chama desalento, ou seja, a taxa de desemprego cai porque os trabalhadores desistem de buscar colocação no mercado.

De qualquer forma, ressalta o economista, o número ainda é baixo, mostrando pouca ociosidade do mercado de trabalho. Fora isso, a massa salarial continua elevada. "As coisas devem continuar positivas em termos de demanda doméstica", explicou.

(Eduardo Campos | Valor)

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