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29/06/2010 - 18h21

Bovespa caminha para o pior trimestre desde o auge da crise financeira

SÃO PAULO - Depois de um dia agitado no cenário externo, com um aumento da aversão a risco generalizado e que levou o Ibovespa a despencar mais de 3% nesta terça-feira (29), a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caminha para seu pior desempenho trimestral desde o auge da crise financeira.

Apenas neste pregão, o Ibovespa desabou mais de 2.200 pontos e teve o segundo pior dia do ano. O índice fechou os negócios em queda de 3,50%, aos 61.977 pontos. O giro financeiro deste pregão correspondeu a R$ 7,633 bilhões.

No trimestre, o índice já recua 11,93%, na maior queda desde o terceiro trimestre de 2008, quando o Ibovespa despencou 23,80%. Vale lembrar que, naquele período, estourou a crise financeira mundial, com a quebra do Lehman Brothers, em setembro.

Em Wall Street, enquanto o índice Dow Jones recuou 2,65% hoje, o S & P 500 cedeu 3,10%, e o Nasdaq perdeu 3,85%.

Nesta terça-feira, o mercado já iniciou os negócios de forma "mais pesada", com uma revisão do índice de indicadores antecedentes da China, medido pelo Conference Board, que passou de alta de 1,7% para 0,3%, em abril.

Na continuação das notícias negativas, a mesma instituição revelou que o índice de confiança do consumidor americano recuou significativamente em junho, seguindo três meses consecutivos de aumento.

Já na Europa, a preocupação se concentrou no setor financeiro. Nesta quinta-feira, os bancos da região terão que acertar as contas com o Banco Central Europeu (BCE) de um programa de empréstimos no montante de 442 bilhões de euros (US$ 543 bilhões), o que preocupa os investidores.

Além disso, os resultados dos testes de estresse das instituições, que devem ser divulgados em julho, também preocupam os agentes de mercado. Diante desse quadro, os investidores se refugiaram nos ativos de menor risco, como dólar e títulos do Tesouro americano, e fugiram das bolsas e das commodities.

O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, assinala que a agenda desta semana, com destaque para os dados de vendas de imóveis pendentes nos EUA e para o payroll, será "difícil", com tendência mais pessimista.

Para o economista, os principais drivers para a queda do dia vieram dos EUA e da Europa. Segundo ele, houve certo "exagero" com relação aos dados chineses. "O mercado precisava de um trigger para cumprir algum movimento. A notícia em si não foi tão ruim", pontuou.

Ao comentar o desempenho trimestral, Perfeito assinalou que os últimos três meses devem ter sido os piores deste ano e que a perspectiva segue favorável para o mercado. "Acho que a Bolsa está num patamar barato, tem espaço para crescer em 2010 e atingir os 75 mil pontos ao fim do ano", indicou.

No mercado corporativo, o principal peso para a queda do Ibovespa partiu de papéis ligados a commodities, ainda que a baixa do índice tenha sido generalizada.

Apenas quatro papéis resistiram à pressão negativa no mercado: Copel PNB (+2,34%, a R$ 36,59), Pão de Açúcar PNA (+1,6%, a R$ 63,30), Sabesp ON (+1,25%, a R$ 37,11) e Souza Cruz ON (+0,87%, a R$ 68,90).

No sentido oposto, as maiores baixas do Ibovespa partiram das ações ON da mineradora MMX, que recuaram 7,32%, a R$ 10,75, e de OGX Petróleo ON, que despencou 6,89%, a R$ 17,01, com giro financeiro de R$ 269,9 milhões. Além disso, as ações PN da Bradespar perderam 6,56%, a R$ 33,45.

Entre as "blue chips", os papéis PNA da Vale despencaram 4,82%, cotados a R$ 39,03, com volume de R$ 1,266 bilhão. Já as ações PN da Petrobras tiveram um desempenho um pouco melhor, com recuo de "apenas" 2,15%, negociadas a R$ 26,83 e com giro de R$ 438 milhões.

Ainda no campo negativo, os papéis ON do Banco do Brasil caíram 4,13%, negociados a R$ 25,50.

Terminou hoje o prazo de reserva para os interessados em participar da oferta de ações do Banco do Brasil. O preço por ação será fixado amanhã.

(Beatriz Cutait | Valor)

 

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